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Bomba norte-americana foi usada no bombardeamento de hospital no Iémen

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O hospital foi bombardeado a 15 de agosto

GETTY

Onze pessoas morreram e 19 ficaram feridas no ataque ocorrido a 15 de agosto em Hajjah, no Iémen, que levou ao encerramento do hospital dos Médicos Sem Fronteiras e ao fim das suas operações no norte do país. A Amnistia Internacional confirma agora que foi utilizada uma bomba de fabrico norte-americano

O ataque aéreo ao Hospital dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Iémen, que causou onze mortos e 19 feridos em agosto passado, foi efetuado com recurso a uma bomba norte-americana, segundo confirmou esta segunda-feira a Amnistia Internacional. A organização apelou aos Estados Unidos e ao Reino Unido para que “parem de imediato o fornecimento de armas que possam ser usadas no conflito” naquele país.

“É escandaloso que os países continuem a fornecer armas à coligação liderada pela Arábia Saudita, incluindo bombas aéreas teleguiadas e de uso geral e aviões de combate, apesar das evidências gritantes que essas armas estão a ser usadas para atacar hospitais e outros alvos civis, assim como em outras graves violações das leis humanitárias internacionais”, refere o comunicado da Amnistia.

Ocorrido a 15 de agosto, o bombardeamento ao Hospital Rural ABS foi o quarto em dez meses a atingir instalações dos MSF naquele país.

O hospital ofereceu tratamento a 4611 pacientes desde que a organização iniciou a assistência naquelas instalações, em julho de 2015. Na sequência do ataque, aquela unidade hospitalar foi encerrada e os MSF suspenderam a sua atividade no norte do país.

Os MSF indicaram que o hospital deu assistência a pessoas de todas as partes envolvidas no conflito, incluindo da coligação liderada pela Arábia Saudita. As instalações foram alvo de um ataque aéreo que se destinaria a um alvo militar próximo, situado a cerca de um quilómetro de distância.

EUA votam para impedir venda de armamento à Arábia Saudita

“Ataques deliberados a hospitais e instalações médicas são graves violações das leis da guerra e nunca podem ser justificados. Os hospitais, que tem proteção especial de acordo com as leis humanitárias internacionais, devem ser locais seguros para tratamento e recuperação, frisou Philip Luther, diretor do gabinete de Investigação e Defesa para o Médio Oriente e Norte de África da Amnistia.

“Este ataque sublinha, mais uma vez, a necessidade desesperada de um amplo embargo a todas as armas que possam ser usadas por qualquer das partes em conflito no Iémen e para uma investigação internacional que leve os responsáveis por ataques ilegais a prestar contas à Justiça”, acrescentou.

Em novembro de 2015, o departamento de Estado norte-americano aprovou a transferência de armas para a Arábia Saudita no valor de cerca de 1,15 mil milhões de euros, incluindo bombas Mark/MK89, apesar de a Amnistia ter apresentado provas de que estas haviam sido usadas em ataques aéreos que mataram inúmeros civis.

Esta semana, o Senado norte-americano deverá votar um projeto de lei para bloquear a venda de armamento à Arábia Saudita no valor de cerca de mil milhões de euros. A medida tinha sido aprovada pela administração de Obama em agosto. O acordo inclui tanques e outros veículos militares, assim como demais equipamentos e serviços relacionados.

Numa carta dirigida à Casa Branca, os 56 membros do Congresso apelaram ao Presidente Obama para adiar a venda até que a decisão possa ser cabalmente debatida no Senado.