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Internacional

Bomba detonada em Manhattan foi construída “para provocar máximo de danos”

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Spencer Platt

FBI está a interrogar cinco pessoas por suspeitas de ligações à bomba plantada num caixote do lixo, cuja explosão feriu 29 pessoas no bairro de Chelsea no sábado, e a um segundo engenho explosivo encontrado perto do local. Foram também encontradas cinco bombas num caixote do lixo perto de uma estação de comboios em Elizabeth, no estado de Nova Jérsia

O engenho explosivo que provocou ferimentos em 29 pessoas no bairro de Chelsea, na ilha de Manhattan, no passado sábado, e um segundo engenho largado noutro caixote do lixo das imediações que falhou em detonar, estavam cheio de estilhaços e foram improvisados com recurso a panelas de pressão, telemóveis e luzes de natal para provocar explosões poderosas e causar “o máximo de caos e mortes” possível.

Citadas pelo “New York Times”, duas fontes das autoridades de Nova Iorque explicaram no domingo à noite (já na madrugada desta segunda-feira em Portugal) que os investigadores abordaram os passageiros de um carro em Belt Parkway, perto da ponte Verrazano-Narrows, e levaram cinco pessoas para uma agência do FBI em Manhattan a fim de serem interrogadas por suspeitas de ligações ao ataque — um que o governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, disse aparentar ser um atentado interno sem ligações ao terrorismo internacional.

Uma das fontes citadas pelo jornal diz que “todos ou quase todos” os detidos pertenceriam à mesma família e que estariam a caminho do aeroporto quando foram parados pela polícia. Em comunicado, o FBI confirmou que agentes e detetives da polícia abordaram “um veículo de interesse na investigação ao ataque à bomba em Chelsea”. Ainda “ninguém foi formalmente acusado de qualquer crime”, acrescentou a agência federal.

Ao início da noite de domingo, as duas fontes anónimas tinham falado na detenção de “uma pessoa de interesse” na investigação que terá sido captada por câmaras de vigilância, não sendo então claro se já tinha sido identificada.

Bombas encontradas em Nova Jérsia

A notícia das detenções surgiu depois de outra fonte da polícia ter avançado que foram encontradas, ao início da noite de domingo, cinco bombas num caixote do lixo perto de uma estação de comboios em Elizabeth, no estado de Nova Jérsia. O autarca da cidade, Christian Bollwage, confirmou que dois homens tinham encontrado um pacote suspeito contendo “cabos e tubos” e disse que o FBI e a polícia de Nova Jérsia tinham sido chamados a investigar o caso.

Já durante a madrugada, pelas 9h da manhã em Lisboa, Bollwage avançou que um dos cinco engenhos explodiu durante a operação de desmantelamento dos explosivos pela brigada de minas e armadilhas junto à estação ferroviária, sem causar ferimentos nem mortos.

Os dois engenhos plantados no sábado em caixotes de lixo do outro lado do rio, na ilha de Manhattan, estavam cheios de “materiais de fragmentação”, disse outra das fontes citadas pelo NYT. A bomba que explodiu na rua 23, no bairro de Chelsea, estava cheia do que pareciam ser rolamentos ou pequenas balas de chumbo esféricas. O segundo engenho, encontrado na rua 27 pouco depois, parece ter sido enchido com os mesmos materiais, avançou a fonte.

RASHID UMAR ABBASI/REUTERS

Sob anonimato ao jornal nova-iorquino, as mesmas fontes explicaram que as autoridades estão cada vez mais investidas na possibilidade de o ataque de sábado estar ligado às bombas ontem encontradas em New Jersey, mas que ainda estavam no processo de comparar os engenhos antes de tirarem conclusões.

Na conferência de imprensa de domingo, o governador Cuomo disse que ainda não são conhecidos motivos políticos ou sociais para qualquer dos ataques. “Não existem provas de ligações ao terrorismo internacional nestes incidentes”, sublinhou. “Temos muita sorte que não tenha havido mortes.” Ainda nenhum grupo, nacional ou internacional, reivindicou o ataque.

Pelo contrário, o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) levou pouco até reclamar a autoria de um outro ataque ocorrido num centro comercial do estado de Minnesota no sábado à noite, um esfaqueamento que deixou nove pessoas feridas.

Os incidentes acontecem numa altura de crescente nervosismo por causa de atentados executados nos últimos meses pelo Daesh ou por simpatizantes do grupo radical na Bélgica e em França. As buscas por suspeitos ou pessoas de interesse na investigação ao ataque em Chelsea acontecem numa altura em que Barack Obama e líderes de todo o mundo estão a chegar a Nova Iorque para a assembleia-geral das Nações Unidas, que decorre esta semana na sede da organização em Manhattan.