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Austrália lamenta morte de 62 soldados sírios em ataque da coligação

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Ryan Pierse/GETTY

Em Nova Iorque para participar na assembleia-geral da ONU, o primeiro-ministro Malcolm Turnbull reconheceu que aviões de guerra australianos integraram a missão de combate ao Daesh que, no sábado, atingiu “por engano” uma posição das forças sírias leais a Bashar al-Assad

O primeiro-ministro australiano expressou esta segunda-feira arrependimento pelo ataque aéreo liderado pelos EUA que, no sábado, matou 62 soldados sírios na cidade de Deir ez-Zor. À chegada a Nova Iorque para o encontro anual da assmbleia-geral da ONU, Malcolm Turnbull assumiu que aviões de guerra da Austrália participaram na missão que “por engano”atingiu as forças leais a Bashar al-Assad, julgando tratar-se de uma posição do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

No sábado, o Pentágono também se disse "arrependido" pela “perda não-intencional de vidas” nesse ataque, um que a Síria e a Rússia dizem que provocou ainda ferimentos noutros 100 soldados e que vem pôr em causa o acordo de cessar-fogo negociado por Washington e Moscovo para abrir caminho a uma aliança inédita de combate ao Daesh e a outros grupos jiadistas a atuar na região.

No comunicado emitido antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU convocada por Vladimir Putin, o Ministério da Defesa norte-americano sublinhou que os ataques aéreos em Deir ez-Zor "foram suspensos de imediato assim que oficiais da coligação foram informados pela Rússia de que era possível haver pessoal e viaturas do Exército sírio" no alvo atingido.

“Aviões australianos estiveram envolvidos na operação que tem sido abordada em notícias recentes”, disse Turnbull à chegada a Nova Iorque esta segunda-feira de manhã. “Posso dizer que, assim que os comandantes da coligação foram avisados pelo comando russo na região de que as forças sírias tinham sido afetadas, a operação foi suspensa”, acrescentou o líder australiano. Aos jornalistas, Turnbull disse ainda ser “óbvio que há muita política” por trás da queixa apresentada pela Rússia na ONU e citou “contradições” entre essa postura e o alegado bombardeamento de hospitais na Síria pelas forças russas aliadas de Assad.

No sábado, a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, acusou Moscovo de "orquestrar um golpe mediático" ao convocar a reunião de emergência do Conselho de Segurança. Vitaliy Churkin, o seu homólogo russo, disse que nunca viu “tão extraordinária demonstração de mão pesada pelos americanos" e sublinhou que o ataque deste sábado "coloca um grande ponto de interrogação” no futuro do cessar-fogo alcançado pela Rússia e os EUA há uma semana.

Essa cessação de hostilidades entrou em vigor na segunda-feira da semana passada por um período de sete dias, em parte para possibilitar a entrega de ajuda humanitária urgente nas partes mais afetadas pela guerra na Síria. A poucas horas do fim da trégua, esse objetivo continuava esta manhã por cumprir.