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Rússia vai a votos em legislativas e a Ucrânia está zangada

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ALEXANDER NEMENOV

Pela primeira vez desde a anexação da Crimeia por Moscovo em 2014, os habitantes da península no sudeste da Ucrânia são chamados a votar em eleições russas. Em disputa este domingo estão os 450 assentos da câmara baixa do Parlamento russo, com os analistas a anteciparem a manutenção do status quo

Os eleitores russos estão este domingo a ir às urnas para escolherem a composição do próximo Parlamento, num plebiscito que o Kremlin garante estar a ser justo e competitivo, apesar das denúncias de fraude numa região da Sibéria. Os 450 assentos da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, estão a ser disputados por 14 partidos, o dobro em relação às últimas legislativas, há cinco anos.

Em 2011, o rescaldo dessas eleições ficou marcado por protestos de dezenas de milhares de pessoas contra o que a oposição disse ser uma fraude eleitoral massiva. As manifestações foram travadas em pouco tempo e com elas a oposição ficou mais fraturada e marginalizada do que nunca, apontam analistas.

Dentro de dois anos, Putin enfrenta eleições presidenciais. A ida às urnas ao longo do dia de hoje é tida como um teste de popularidade ao líder e também ao secretário-geral do partido Rússia Unida e primeiro-ministro. Dmitri Medvedev. Centenas de observadores independentes internacionais foram convidados a monitorizar as eleições.

Para supervisionar o ato, o Governo escolheu Ella Pamfilova, ex-chefe do Kremlin para os Direitos Humanos, que já garantiu que irá resignar ao cargo na Comissão Central Eleitoral se as eleições forem consideradas um falhanço. "As pessoas vão sair às ruas se não confiarem nos resultados", disse numa conferência de imprensa na quinta-feira.

Kiev e os EUA já garantiram que não vão reconhecer resultados na Crimeia

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VASILY MAXIMOV

Crimeia participa no plebiscito

As eleições deste domingo são as primeiras a contar com os votos dos habitantes da Crimeia, a península do sudeste da Ucrânia que Moscovo anexou em 2014 após a deposição do Presidente Viktor Ianukovitch, aliado de Vladimir Putin.

O decorrer da votação ali não vai ser monitorizado por observadores independentes como no território russo, avança o "Wall Street Journal". Vários países, incluindo os Estados Unidos e todos os Estados-membros da União Europeia, recusam-se a reconhecer a Crimeia como parte integrante da Rússia.

No sábado, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, John Kirby, disse em comunicado que a administração Obama não vai reconhecer os resultados do ato eleitoral. "Os Estados Unidos não reconhecem legitimidade e não vão reconhecer os resultados das eleições para a Duma planeadas para a Crimeia. A península continua a ser parte integral da Ucrânia", sublinhou o responsável.

"Sanções relacionadas com a Crimeia contra a Rússia vão continuar em vifor até que a Rússia devolva o controlo da Crimeia à Ucrânia. Continuamos igualmente profundamente preocupados com a situação humanitária na Crimeia, incluindo com o estatuto da comunidade étnica tártara e com as inúmeras denúncias de desaparecimentos e abusos de direitos humanos."

É esperado que a ida às urnas na região, sob fortes protestos de Kiev, reforce a influência de Moscovo não só na península como no restante Leste da Ucrânia, onde continua em curso uma guerra civil entre as forças ucranianas apoiadas pelo Ocidente e separatistas pró-Rússia, que já provocou pelo menos 10 mil mortos em dois anos e meio.