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Rússia exige inquérito ao ataque que matou 62 soldados sírios

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MIKHAEL KLIMENTYEV/KREMLIN POOL/EPA

Pentágono admitiu no sábado que bombardeamento da coligação anti-Daesh poderá "por engano" ter atingido soldados e viaturas das forças leais a Bashar al-Assad em Deir ez-Zor

A Rússia exigiu este domingo a Washington um "inquérito completo" aos ataques aéreos da coligação internacional liderada pelos norte-americanos contra uma posição do Exército sírio, que ontem provocaram a morte de pelo menos 62 soldados.

“Moscovo está profundamente inquieto com o que se passou", disse o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, em comunicado. "Apelamos aos nossos parceiros norte-americanos para que concluam um inquérito, o mais completo possível, e tomem medidas para evitar tais incidentes no futuro. Se, como parece, os pilotos não obedeceram a ordens de Washington, então tudo aponta para negligência criminal que surtiu apoio direto aos terroristas do Estado Islâmico."

O jogo de culpas vem aumentar a tensão entre a Rússia e os EUA, numa altura em que continua em marcha na Síria um frágil cessar-fogo temporário negociado pelos dois países em Genebra e implementado na segunda-feira por um período de sete dias.

No sábado, o Pentágono disse em comunicado que a coligação suspendeu os ataques ao que achava ser um bastião do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) em Deir ez-Zor, no leste da Síria, depois de a Rússia ter informado as forças norte-americanas de que pessoal e veículos do Exército sírio podiam ter sido atingidas.

"Estamos a investigar o incidente", acrescentou hoje a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, durante um encontro de emergência do Conselho de Segurança convocado pela Rússia. "Se determinarmos que de facto atingimos pessoal militar sírio, não era essa a nossa intenção. E obviamente lamentamos a perda de vidas." Para o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, o ataque coloca "um grande ponto de interrogação" no futuro do acordo de cessar-fogo em marcha.

A confirmar-se a responsabilidade das forças norte-americanas no bombardeamento que vitimou 62 soldados sírios, esta será a primeira vez que os EUA atacam diretamente as forças leais ao Presidente sírio, Bashar al-Assad, desde o início da guerra civil no país em março de 2011.

Sob o acordo de trégua alcançado há uma semana está prevista uma aliança inédita entre os EUA e a Rússia de combate ao Daesh e a outros grupos jiadistas instalados na Síria, sob a condição de não se verificarem violações do cessar-fogo durante sete dias, até à próxima segunda-feira. Mas a possibilidade parece cada vez mais uma miragem.

Ontem, o Presidente russo, Vladimir Putin, pareceu pôr em causa a iniciativa de paz, dizendo que a administração Obama não parece estar seriamente comprometida com esse acordo. "Isto vem dos problemas que os EUA estão a enfrentar na Síria — eles continuam sem conseguir separar a chamada parte saudável da oposição [a Bashar al-Assad, aliado de Putin] dos elementos criminosos e terroristas", disse numa visita ao Quirguistão. "Na minha opinião, isto vem do desejo deles de manterem o potencial de combate na luta contra o Governo legítimo de Bashar Assad. Mas esse é um caminho muito perigoso", avisou.