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Internacional

Caxemira está mergulhada na pior violência dos últimos seis anos

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TAUSEEF MUSTAFA

Dezassete soldados indianos morreram este fim-de-semana num ataque a uma base militar da parte da região que está sob administração da Índia. País acusa o Paquistão de estar a apoiar movimento secessionista violento na zona dos Himalaias que os dois países disputam desde 1947. Islamabade atribui ataques a rebeldes que lutam pela liberdade e desmente quaisquer ligações

Dezassete soldados indianos morreram, a par de quatro suspeitos rebeldes, num ataque a uma base do exército da Índia na zona de Caxemira que é administrada pelo país.

No Twitter, o comando norte do exército indiano disse que "quatro terroristas foram mortos numa operação anti-terrorismo em Uri" e que "17 soldados fizeram o supremo sacrifício" de morrer em defesa da região disputada com o Paquistão desde a independência da Índia em 1947.

Uri, a área onde se deu o ataque, fica 100 quilómetros a oeste da principal cidade de Caxemira, Srinagar, que nos últimos dois meses tem sido palco dos piores episódios de violência dos últimos seis anos na região com administração partilhada.

De acordo com o porta-voz do Exército indiano, um grupo de rebeldes atacou uma base próxima da Linha de Controlo que separa Caxemira em dois ao início da manhã, antes de avançar para a sede do exército onde os 17 soldados foram mortos.

Uma testemunha disse à AFP que, ao longo da manhã deste domingo, era possível avistar uma coluna de fumo a sair do regimento de infantaria acompanhada do som de tiroteio pesado no local.

Numa série de tweets, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, condenou o que classificou de "ataque terrorista cobarde", prometendo que vai capturar os responsáveis. "Asseguro a nação de que aqueles que estão por trás deste ataque desprezível não ficarão impunes."

Também no Twitter, o ministro indiano do Interior, Rajnath Singh, disse que está em contacto com os líderes políticos e militares da região e que já cancelou viagens programadas para a Rússia e os Estados Unidos. De acordo com os media locais, o chefe de Estado-maior das Forças Armadas, Dalbir Singh Suhag, e o ministro da Defesa, Manohar Parrikar, vão visitar a zona do ataque na segunda-feira.

A região dos Himalaias está mergulhada em protestos há mais de dois meses, registando-se quase diariamente confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança. Pelo menos 87 civis já morreram e milhares ficaram feridos nos protestos contra a administração chinesa, potenciados pela morte de Burhan Wani, um popular líder rebelde, num tiroteio com soldados a 8 de julho.

O Governo indiano acusa o Paquistão de estar a incitar e a apoiar o movimento "terrorista" no lado indiano de Caxemira. Islamabade diz que as manifestações e ataques têm sido executados por "rebeldes que lutam pela liberdade" e desmente quaisquer ligações ao grupo.

A disputa por Caxemira desde 1947 já deu origem a três guerras, nesse ano, em 1965 e em 1999. Ao longo destas décadas, os dois países estiveram ainda em guerra pelo glaciar Siachen, onde foi implementado um cessar-fogo em 2003. Dezenas de milhares de pessoas, na sua maioria civis, já perderam a vida ao longo do conflito.