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Pentágono admite que coligação pode ter bombardeado soldados do governo sírio

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GEORGE OURFALIAN/GETTY IMAGES

Ataque ocorreu no passado dia 9 de setembro. Segundo o ministro da Defesa russo, morreram 62 soldados sírios e outras dezenas ficaram feridos. Pentágono garante que as forças da coligação julgavam estar a atacar o Estado Islâmico e que o ataque foi interrompido assim que os oficiais russos alertaram para a situação

Helena Bento

Jornalista

O Pentágono admitiu este sábado que os bombardeamentos da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos podem ter atingido soldados e viaturas do exército do governo sírio na cidade de Deir al Zor, a leste de Síria.

Em comunicado citado pelos media internacionais, o Pentágono garante que as forças da coligação “julgavam estar a atacar uma posição de um grupo de militares do autoproclamado Estado Islâmico, que estavam a seguir há já algum tempo”. “A coligação decidiu interromper imediatamente o ataque assim que foi informada por oficiais russos de que era possível que os militares e veículos atingidos fizessem parte do regime sírio”.

Na sua nota, o Pentágono assegura ainda que as forças da coligação internacional “não atingiram intencionalmente uma unidade militar síria” e garante que “a coligação irá rever este ataque e as circunstâncias que o rodeiam”, de modo a não cometer erros semelhantes no futuro.

De acordo com Serguei Choigu, ministro da Defesa russo, morreram 62 soldados nos bombardeamentos e outras dezenas ficaram feridos. No total, terão sido atingidos mais de 100 militares. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos fala em 80 mortos.

Em comunicado, o ministro da Defesa, tal como Vladimir Putin fizera horas antes, levantou suspeitas sobre o compromisso assumido por Washington no âmbito do acordo de cessar-fogo assinado no sábado passado, 11 de setembro, e disse que os recentes bombardeamentos são prova de que os oficiais norte-americanos não consultaram os seus parceiros russos, conforme prevê o mesmo acordo.

“A ser considerado um erro, este ataque será então a consequência direta da incapacidade dos EUA de coordenar a sua ação militar com a Rússia no combate ao terrorismo na Síria”, afirmou o major general Igor Konashenkov, porta-voz do ministro da Defesa russo. Os EUA garantem, no entanto, ter entrado em contacto com as forças militares russas.

A Rússia anunciou entretanto que vai convocar uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU. “Exigimos de Washington explicações completas e detalhadas e elas devem ser dadas no âmbito do Conselho de Segurança da ONU”, disse Maria Zakharova, porta-voz da diplomacia russa.