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Internacional

Começou o Oktoberfest, mas este ano há vedações e mais polícia

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O maior festival de cerveja do mundo atrai seis milhões de visitantes por ano a Munique

Joerg Koch

Ministro do Interior da Baviera diz que autoridades não veem "nenhum risco especial" de terrorismo no maior festival de cerveja do mundo, que começou este sábado em Munique e que decorre até 3 de outubro. Mas, ressalva, "um festival tão famoso internacionalmente pode ser alvo de um ataque"

O maior festival de cerveja do mundo, que decorre anualmente na cidade alemã de Munique, começou este sábado, mas este ano, ao contrário do que é costume, há vedações para controlar as entradas e saídas do espaço onde o Oktoberfest estará a decorrer até 3 de outubro.

Em declarações à Associated Press, o ministro do Interior da Baviera, Joachim Hermann, explicou que o estado decidiu reforçar as medidas de segurança para estar preparado para um eventual atentado — depois de um verão marcado por quatro ataques no sul do país que aumentaram o medo e a insegurança entre a população, apesar de apenas um ter sido motivado por questões políticas.

"Não vemos nenhum risco especial no Oktoberfest, mas é claro que um festival tão reconhecido internacionalmente pode ser alvo de um possível ataque", explicou o governante.

Pela primeira vez, o festival que atrai cerca de seis milhões de pessoas por ano implementou um sistema de controlo dos visitantes nas entradas e saídas do recinto, sobretudo por causa do "alto risco de atentados terroristas no território alemão", acrescenta Hermann.

Mochilas e malas grandes estão banidas do festival e há mais polícia a patrulhar o local do que em anos anteriores, cerca de 450 agentes de segurança para além de 29 novas câmaras a monitorizar o espaço.

"O conceito de defesa adaptado de forma adequada é uma reação aos eventos recentes [na Alemanha] sem alterar o caráter fundamental do Oktoberfest", garante o autarca de Munique, Josef Schmid, à mesma agência.

Numa só semana em julho, dez pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas em quatro ataques no sul do país, na sua maioria no estado da Baviera. Depois de um adolescente afegão ter atacado passageiros de um comboio com um machado em Wuerzburg, no norte da Baviera, num ataque reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), um requerente de asilo da Síria que viu ser-lhe recusado estatuto de refugiado na Alemanha e que sofria de problemas psiquiátricos fez-se explodir à entrada de um festival de música em Ansbach, no mesmo estado, ferindo 12 pessoas.

Dias depois, um alemão de 18 anos filho de pais iranianos abriu fogo contra colegas e transeuntes num centro comerical de Munique, matando nove pessoas antes de se suicidar. A polícia disse não haver quaisquer provas de "motivos políticos", da mesma forma que exlcuiu essa possibilidade no caso do sírio de 21 anos que, horas antes desse tiroteio, matou uma mulher polaca em Reutlingen, no estado de Baden-Württemberg, num aparente "crime passional".

Apesar de só um dos quatro ataques ter sido reivindicado pelo Daesh, o chefe do departamento de ordem pública de Munique, Thomas Bohle, admite que foi esse o motivo pelo qual as autoridades decidiram "reavaliar o conceito de segurança do Oktoberfest".

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    De um lado há um discurso de diferenciação: há que separar completamente os quatro ataques da última semana da política governamental de refugiados. Do outro há um discurso de culpabilização: os ataques são culpa dos refugiados e Merkel é a culpada por tê-los deixado entrar. Há um crescente nervosismo na Alemanha – admitido mesmo pelos defensores de Merkel

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    Até 3 de outubro, mais de seis milhões de pessoas deverão visitar a maior festa da cerveja do mundo. Acontece em Munique, sempre por esta altura, desde 1810.