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Tusk pede olhar “brutalmente honesto” para enfrentar problemas da UE

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JOE KLAMAR

Decorre esta sexta-feira em Bratislava uma cimeira de líderes da UE, já sem o Reino Unido, onde o bloco a 27 irá discutir rotas de futuro e preparar o encontro de março na capital italiana, altura em que se celebram os 60 anos do Tratado de Roma

O Presidente do Conselho Europeu pediu esta sexta-feira aos líderes da União Europeia que assumam um olhar "sóbrio e brutalmente honesto" face aos problemas do bloco, quase três meses depois de 52% da população britânica ter votado a favor do Brexit.

O pedido foi feito em comunicado antes da inauguração de uma cimeira de líderes da UE em Bratislava para discutir o futuro do bloco a 27, já sem o Reino Unido. Fontes próximas de Donald Tusk dizem que o líder quer concentrar as dicussões na crise dos refugiados mas reconhecem que, apesar de o resultado do referendo britânico não estar na agenda e de Theresa May estar ausente do encontro, existem poucas dúvidas de que o Brexit vá ensombrar a cimeira que começa hoje na capital da Eslováquia.

Esta quinta-feira, após um encontro com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Paris, o Presidente francês reconheceu que o voto britânico a favor da saída da UE inaugurou uma crise que ameaça a própria existência do bloco regional. "Não é apenas mais uma crise, pode mesmo ser uma crise existencial", disse François Hollande antes de partir para a Eslováquia.

"É minha sensação que o melhor lema para o encontro de Bratislava é que não devemos deixar que estas crises sejam desperdiçadas", diz Tusk no comunicado que inaugura a cimeira desta sexta-feira, onde sublinha que a UE deve fazer "um diagnóstico realista das causas do Brexit" e enfrentar "todo o tipo de crises" que assolam o bloco para "trazer de volta estabilidade e uma sensação de segurança" aos seus cidadãos.

O encontro começa esta sexta-feira com profundas cisões entre os seus Estados-membros sobre a rota a seguir no futuro, havendo discórdia sobre como reforçar a economia e a zona euro, como garantir a segurança do continente e que respostas dar ao número elevado de requerentes de asilo que continuam a chegar à Europa fugidos de guerra e de profunda instabilidade no Médio Oriente e em países de África.

O anfitrião da cimeira, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, integra um grupo de líderes de países da Europa central e de leste, com a Hungria à cabeça, que está a batalhar contra o sistema de quotas de distribuição dos refugiados de forma equitativa por todos os Estados-membros, proposto há mais de um ano pelo Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Antes do encontro desta sexta-feira, Fico voltou a sublinhar que o seu país não vai aceitar "um único migrante muçulmano", reforçando a postura anti-Bruxelas do chamado grupo de Viségrad, composto pela Hungria, Eslováquia, Polónia e República Checa.

Na terça-feira, o ministro luxemburguês dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, declarou que a Hungria deve ser suspensa ou até expulsa da UE por causa do que classifica de "massivas violações" dos valores fundamentais do bloco regional, em particular pelo seu tratamento dos refugiados e migrantes.

Para França, a prioridade é garantir a segurança das fronteiras europeias no rescaldo dos ataques executados por militantes ou simpatizantes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no seu território. O objetivo é partilhado pela Alemanha, que há alguns dias delineou com Paris planos para aprofundar a cooperação militar europeia — o mesmo objetivo apresentado no discurso do Estado da União que Juncker proferiu na quarta-feira em antecipação desta cimeira, pedindo que seja criado um quartel-general de um Exército europeu ao lado da sede da NATO em Bruxelas.

É esperado que no encontro desta sexta-feira se produza "roteiro" que oriente o bloco até à próxima cimeira de líderes europeus, marcada para março na capital italiana, altura em que se marcarão os 60 anos do Tratado de Roma, um dos documentos-base do bloco.