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Onde nasceu Obama? Campanha de Trump vira jogo contra Clinton

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John Moore

É sabido que Donald Trump se aproveitou do movimento surgido em 2008 para acusar o atual Presidente norte-americano, à data candidato à presidência, de mentir sobre ter nascido nos Estados Unidos. Mas para ganhar votos, a campanha do republicano está a acusar a rival democrata de ter sido ela a lançar a “campanha de difamação”

“A campanha de Trump, mas não o próprio Trump, diz que Obama nasceu nos Estados Unidos.” Foi assim que a CNN e outros media noticiaram esta sexta-feira o comunicado enviado às redações pela equipa do candidato presidencial republicano, onde é reconhecido que o atual Presidente norte-americano nasceu de facto no país que lidera — e não no Quénia, como foi defendido por vários republicanos durante a campanha presidencial de Obama para as eleições de 2008.

O reacender do chamado “movimento birther”, iniciado durante o primeiro mandato de Barack Obama e que punha em causa a sua certidão de nascimento, emitida no Hawai, teria sido uma surpresa para os jornalistas, não fosse o facto de, no mesmo documento, a campanha do magnata tornado candidato republicano acusar Hillary Clinton de ter sido ela, e não Trump, a dar início a esta campanha de “difamação”.

Como com outros temas abordados pela equipa do candidato à Casa Branca, não há quaisquer provas que sustentem esta versão. O mesmo não se pode dizer do envolvimento de Donald Trump nas primeiras acusações a Obama, comprovadas em inúmeros artigos, como esta reportagem que o “New York Times” publicou em julho deste ano, sobre a forma como Trump tentou capitalizar as acusações em 2011.

Reagindo a mais esta teoria da conspiração, a candidata democrata, que serviu como secretária de Estado no primeiro mandato de Obama, escreveu no Twitter que o próximo Presidente dos EUA “não pode e não vai ser o homem que liderou o movimento racista” sobre a “verdadeira” naturalidade de Obama.

O comunicado emitido na quinta-feira à noite, madrugada desta sexta em Portugal, e assinado pelo conselheiro de Trump Jason Miller, surge depois de uma entrevista dada pelo candidato republicano ao “Washington Post”, na qual se recusou a admitir que Obama nasceu efetivamente nos Estados Unidos, declarando que não queria responder a essa questão.

As acusações surgidas em 2008 tinham por base o argumento de que, como Obama nasceu no Quénia e não nos EUA, não podia ser eleito Presidente do país. Alguns media norte-americanos sugeriram na altura que o movimento tinha sido lançado por fortes apoiantes de Hillary Clinton, que à data já sabia que ia perder a nomeação democrata para Obama. Contudo, não existem quaisquer provas de que a antiga senadora ou qualquer pessoa da sua equipa tenham estado envolvidos nas acusações.