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Internacional

Mais de 75 mil refugiados sírios “encurralados” na fronteira com a Jordânia

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CNES - vídeo do Conselho Tribal de Palmira

Imagens obtidas pela Amnistia Internacional mostram cemitérios improvisados e um aumento dramático do número de acampamentos em “terra de ninguém", no deserto que divide a Síria e a Jordânia

Dezenas de milhares de refugiados sírios estão "encurralados" na fronteira da Síria com a Jordânia, num pedaço de "terra de ninguém" no deserto partilhado entre os dois países, onde a comida está a chegar ao fim e a falta de condições sanitárias está a gerar surtos de "doenças preveníveis".

A denúncia é feita num relatório divulgado na quinta-feira pela Amnistia Internacional, onde é revelado que cerca de 75 mil sírios fugidos da guerra estão a viver "nas piores condições humanitárias", sem acesso a ajuda humanitária há dois meses, numa área deserta entre a fronteira da Síria e da Jordânia conhecida como Berm.

As passagens fronteiriças de Rukban e Hadalat foram encerradas pelas autoridades jordanas há três meses na sequência de um atentado suicida que vitimou seis soldados, com o Governo do país a restringir igualmente o acesso de equipas de ajuda humanitária a Berm no rescaldo desse ataque, a 21 de junho.

Os refugiados ali presos enfrentam séria escassez de alimentos e não têm qualquer acesso a cuidados de saúde, alerta a Amnistia, com base em imagens de satélite e vídeos que demonstram um enorme aumento do número de acampamentos temporários na região e a existência de cemitérios improvisados onde aqueles que sucumbem à fome e à doença têm sido enterrados pelos conterrâneos.

Até agora, apenas uma entrega de ajuda humanitária aconteceu em Berm desde que o governo jordano encerrou a fronteira — a comida ali distribuída no início de agosto está agora a chegar ao fim, sublinha a organização não-governamental. "A situação humanitária é muito má", descreve Abu Mohamed, um sírio que está a viver no campo improvisado de Rukban há cinco meses. "A situação das crianças em particular é muito má. Temos água potável mas quase nenhuma comida nem leite. É horrível."

Como resultado da falta de comida, medicamentos e condições sanitárias, pelo menos 19 pessoas já morreram na sequência de um surto de hepatite no campo e por causa de problemas em partos que podiam ter sido prevenidos, explica à Al-Jazeera a diretora de gestão de crises da Amnistia, Tirana Hassan. "Não há quaisquer serviços de saúde no campo neste momento. Pessoas dentro de Berm dizem-nos que pelo menos nove pessoas já morreram por causa de problemas no parto, entre mulheres e bebés, e que outras 10 pessoas morreram de complicações associadas com hepatite. Isto são questões com as quais poderíamos lidar se houvesse uma resposta humanitária total."