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Costa: “Desconfiança entre todos” é um dos grandes problemas da UE

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António Costa, à chegada à cimeira europeia em Bratislava, onde será debatido o futuro da Europa após a saída do Reino Unido.

LEONHARD FOEGER/REUTERS

Segurança, prosperidade e emprego são questões “absolutamente chave” que têm de ser tratadas de forma prática, “não com grandes discussões institucionais” ou “grandes revisões dos tratados”, disse o primeiro-ministro português, à chegada à cimeira em Bratislava

O primeiro-ministro António Costa considerou esta sexta-feira, em Bratislava, que a cimeira informal que reúne 27 líderes europeus na capital eslovaca é uma boa oportunidade para começar a vencer um dos grandes problemas da União Europeia, “a desconfiança entre todos”.

Em declarações aos jornalistas, antes do início da cimeira informal de chefes de Estado e de Governo de 27 Estados-membros - uma reunião sem o Reino Unido e cujo objetivo é iniciar um processo de reflexão sobre o futuro da Europa na sequência do Brexit -, António Costa apontou que o ponto de partida é bom, porque é realista, uma vez que “a Europa sabe que tem um problema”.

“Acho que começámos bem, com a constatação da evidência: há um problema. Demos um segundo passo importante, que foi afirmar todos a vontade de resolvermos este problema em conjunto. Agora vamos fazer o essencial, que é resolver o problema”, declarou.

Apontando que este é um processo de meses e que hoje não são esperadas decisões, o chefe de Governo defendeu ainda assim que é “muito importante que esta cimeira tenha lugar, porque significa a vontade dos 27 Estados-membros se manterem unidos e responderem àquilo que são as necessidades dos cidadãos”, e considerou que o formato do encontro até é propício a uma discussão construtiva.

“É uma boa oportunidade de não estarmos centrados num documento e em propostas concretas, mas poder haver espaço para os 27 líderes expressarem-se livremente e trocar pontos de vista. Porque isso também é muito importante para vencer um dos maiores problemas que surgiu na Europa nos últimos anos, que é uma enorme fratura cultural e desconfiança entre todos, entre leste e oeste, entre sul e norte, e temos que vencer isso, porque sem vencer esse estado de desconfiança entre uns e outros também não conseguiremos construir nada em comum”, sustentou.

Reforçando que a UE já assumiu que há um problema e que a cimeira de hoje demonstra “a vontade de o resolver”, António Costa admitiu que “agora falta fazer o essencial, que é identificar quais são os caminhos corretos” para dar resposta “àquilo que são os sucessivos avisos que os cidadãos de toda a Europa têm dado sobre o seu descontentamento sobre o funcionamento da União”.

“As pessoas preocupam-se sobretudo com a segurança, com a prosperidade e com o emprego, e é aí que temos que nos concentrar. Não com grandes discussões institucionais, não com grandes revisões dos tratados, mas resolvendo os problemas práticos”, disse, apontando em concreto para “o crescimento e emprego que é a questão absolutamente chave”.

“Eu acho que uma das grandes desilusões de muitos cidadãos na Europa é verificar que a Europa não conseguiu contribuir positivamente para regular a globalização, que não contribuiu positivamente para que houvesse um crescimento sustentado e gerador de emprego, e é isso a que temos de responder”, disse, antes de se juntar aos restantes 26 chefes de Estado e de Governo no Castelo de Bratislava (Eslováquia), onde decorrerá a cimeira até final da tarde.