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O atual Presidente filipino dirigia pessoalmente os esquadrões da morte na sua cidade

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Getty

Num dos casos, terá sido o próprio Duterte a executar um funcionário do Ministério da Justiça

Luís M. Faria

Jornalista

Quando o Presidente filipino Rodrigo Duterte diz que vai matar, vai mesmo matar. Já se tinha percebido isso logo a seguir à sua vitória nas eleições, quando centenas de pessoas começaram ser abatidas pela polícia, sempre com plena justificação, segundo as autoridades. Agora um homem de 57 anos chamado Edgar Matobato foi depor num comité de investigação no Senado e contou que Duterte, quando era mayor da cidade de Davao, dava instruções expressas para execuções extrajudiciais.

Matobato diz ter sido membro de um esquadrão que executou umas mil pessoas entre 1998 e 2013. Ele próprio terá morto umas cinquenta. A maioria dos executores eram agentes da polícia ou ex-rebeldes comunistas. Os alvos: normalmente pessoas envolvidas no tráfico de droga, mas também, por vezes, adversários de Duterte e de um filho seu, Paolo, que atualmente é vice-presidente da Davao – e que, segundo Matobato, consome ele próprio drogas. A vaga de assassinatos atingiu igualmente o namorado de uma irmã de Duterte.

Uma das acusações mais espetaculares é que Duterte matou pessoalmente um funcionário do Ministério da Justiça. Terá acontecido durante uma operação antidroga em Davao, por o carro do funcionário estar a bloquear o do pessoal de Duterte. Quando este chegou ao local, o funcionário jazia no chão, ferido mas ainda com vida. Segundo Matobato, Duterte esvaziou no corpo dele dois carregadores inteiros inteiros de uma metralhadora Uzi.

Rodrigo Duterte

Rodrigo Duterte

Getty

Críticas e obscenidades

Duterte foi mayor de Davao durante quase duas décadas, antes de ser eleito Presidente do país. Ao longo do seu mandato, levou a cabo uma luta impiedosa contra a droga na cidade. Uma ou outra vez chegou a admitir envolvimento com os esquadrões da morte, mas de modo geral negava.

Quando se candidatou à presidência das Filipinas, prometeu estender ao país os métodos que tinha aplicado na sua cidade. E cumpriu. Até agora, em 78 dias de mandato, 3500 alegados traficantes de droga já foram mortos. Isso valeu críticas da ONU e do Presidente Barack Obama, às quais ele, tipicamente, respondeu com obscenidades.

Membros do seu governo já consideraram absurdas as afirmações de Matobato, dizendo que têm fins políticos – Duterte chegou em tempos a acusar uma das senadoras de estar envolvida com drogas. Porém, Matobato já tinha abandonado o esquadrão da morte e entrado num programa de proteção de testemunhas há anos. Fugiu das Filipinas quando Duterte foi eleito, e explica que fala agora por motivos de consciência.

O gabinete do Presidente disse que ele só vai fazer comentários quando o comité terminar.