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Internacional

Luz verde para primeira central nuclear do Reino Unido em 20 anos

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Central fica no canal de Bristol, a maior baía da ilha da Grã-Bretanha, que separa o sul do País de Gales de Devon e Somerset, no sudoeste de Inglaterra

Matt Cardy

França e China já foram informadas de que os planos de construção de Hinkley Point são para avançar. Governo de Theresa May diz que faturas da eletricidade vão subir 3,9%. Críticos condenam dependência da China e a contínua aposta numa fonte energética comprovadamente perigosa em detrimento de alternativas sustentáveis

O governo britânico confirmou esta quinta-feira que vai avançar com a construção da primeira central nuclear da Grã-Bretanha em 20 anos. Há duas semanas, durante a cimeira do G20 na China, a nova primeira-ministra britânica, Theresa May, tinha explicado aos jornalistas que tinha adiado a decisão em julho para poder analisar as informações recolhidas pelo anterior governo de David Cameron, que se demitiu na sequência da vitória do Brexit no referendo de finais de junho. "É a forma como operamos", sublinhou a líder, sem avançar datas para uma decisão final.

De acordo com a BBC, o governo de May informou hoje as autoridades da China e de França que o projeto de Hinkley Point é para avançar. A estatal elétrica chinesa, CGN, vai investir no projeto avaliado em 18 mil milhões de libras (cerca de 21,2 mil milhões de euros) com um terço do dinheiro, a par da empresa francesa EDF, que vai cobrir os restantes custos com a central do canal de Bristol, entre o sul do País de Gales e o sudoeste de Inglaterra.

Críticos do acordo têm alertado que, para além dos custos crescentes deste projeto, financeiros mas sobretudo ambientais, há implicações nefastas em envolver governos estrangeiros na construção de centrais britânicas. A China aceitou investir em Hinkley Point e numa outra central elétrica em Sizewell sob a condição de poder estar igualmente envolvida no projeto de Bradwell.

"A GMB [central sindical britânica] sempre manteve reservas quanto a ligar os projetos de Bradwell e Sizewell ao contrato de Hinkley", diz Justin Bowden, secretário-geral do sindicato. "O governo nunca deveria ter permitido que o país ficasse dependente dos chineses."

Em comunicado, o governo britânico explicou esta quinta-feira que o projeto vai avançar com algumas condições, prevendo-se a "imposição de um novo enquadramento legal para futuros investimentos estrangeiros nas infraestruturas mais importantes" do país.

Há dois meses, o diretor-executivo da Greenpeace congratulou-se com a suspensão dos planos e deixou novos avisos sobre os potenciais custos ambientais de se construir mais uma central nuclear no Reino Unido, onde já existem 15 reatores funcionais em sete centrais. "O Reino Unido tem de investir em fontes de energia renovável sustentáveis e seguras", disse John Sauven. "Theresa May tem agora a oportunidade de parar este elefante branco radioativo."

O projeto de Hinkley Point, que segundo o governo vai garantir 7% da eletricidade consumida pelos britânicos, está em debate desde janeiro de 2006, quando o Reino Unido apresentou o primeiro projeto para construir uma nova central nuclear no país, que seria aprovado em março de 2013. Em outubro desse ano, Cameron anunciou que aceitava pagar 92,5 libras (quase 109 euros) por megawatt/hora da central de Somerset, o dobro do preço médio de mercado. May já avisou que as faturas de eletricidade vão subir 3,9%.

A decisão francesa de investir no projeto foi aprovada pelo conselho de administração da EDF em julho deste ano, nove meses depois de o Presidente chinês, Xi Jinping, ter alcançado um acordo de palavra com Cameron em outubro de 2015, durante uma visita a Londres. Nesse mês, a CGN assinou os primeiros acordos de investimento com a EDF.