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Ex-prisioneiro de Guantánamo em coma após greve de fome

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Enrique Marcarian / Reuters

Jihad Diyab, um sírio de 45 anos a viver no Uruguai, está em greve de fome há mais de três semanas. Deseja poder reunir-se com a sua família na Turquia e não vai desistir da greve até ter uma resposta ao seu pedido. Esteve detido em Guantánamo durante 12 anos, sem acusação, e foi libertado em 2014

Um ex-prisioneiro de Guantánamo, colocado no Uruguai em 2014, entrou em coma ligeiro depois de mais de três semanas em greve de fome, indicou à agência AFP a equipa médica que lhe presta assistência em casa.

Jihad Diyab, um sírio de 45 anos, tem entrado e saído do hospital em Montevideu com frequência desde que iniciou uma greve de fome há mais de três semanas para pressionar uma resposta relativamente ao seu pedido para se reunir com a sua família na Turquia. “Ele está em coma ligeiro, estamos a hidratá-lo, estava muito desidratado”, afirmou Julia Galzerano, que integra a equipa médica que presta assistência a Jihad Diyab, em entrevista por telefone à agência francesa de notícias.

A médica explicou que o estado de coma ligeiro significa que “ele não tem um problema do foro neurológico” e que tem “os sinais vitais quase normais”. Jihad Diyab iniciou uma greve de fome no final de agosto e exige sair do Uruguai, país que o acolheu no âmbito de um acordo com os Estados Unidos.

No sábado, o ex-prisioneiro de Guantánamo deixou o hospital público de Montevideu, onde estava a ser tratado, depois de o seu estado de saúde se ter agravado, apesar da oposição por parte da equipa médica. Foi a segunda vez que foi internado no intervalo de apenas uma semana. No Uruguai, uma pessoa em greve de fome pode ser medicamente assistida somente apenas se houver um pedido voluntário ou se perder a faculdade de tomar decisões.

Jihad Diyab manifestou, por várias vezes, o seu desejo de sair do Uruguai para se reunir com a sua família na Turquia.
O Governo uruguaio preferia que fosse a sua família a ir para Montevideu, mas Jihad Diyab advogou que não tinha como sustentá-la no Uruguai. Preso em Guantánamo durante 12 anos, sem acusação, foi libertado em 2014 do centro de detenção norte-americano em Cuba.

O cidadão sírio deixou clandestinamente o Uruguai há várias semanas, cruzando a fronteira com o Brasil. Foi, contudo, localizado no final de julho na Venezuela e ali detido. A 30 de agosto foi reenviado para o Uruguai. “Basta, faz um ano e nove meses que estou aqui e ainda não encontraram uma solução para o meu caso”, declarou no início do mês à agência noticiosa francesa.

A diplomacia uruguaia está a tentar encontrar um outro país de acolhimento para Diyab. “Infelizmente, até ao momento não tivemos qualquer resposta positiva”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros José Luis Cancela, citado no portal do “El Observador. Jihad Diyab foi transferido de Guantánamo para o Uruguai pela administração norte-americana no final de 2014, a par com outros cinco detidos.

Pentágono anuncia transferência de mais 15 reclusos de Guantánamo

Há cerca de um mês, a 16 de agosto, o Pentágono anunciou a transferência de 15 detidos (12 iemnitas e três afegãos) de Guantánamo para os Emirados Árabes Unidos, naquela que foi considerada a maior saída de presos aprovada por Barack Obama, que prometeu encerrar a prisão até ao final do seu mandato.

Em Guantánamo, 19 reclusos aguardam ainda ordem de saída, do total de 61 reclusos que se encontram ainda detidos nas instalações da prisão de alta segurança.