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Procurador-geral de Nova Iorque abre investigação à Fundação Trump

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Drew Angerer

Notícia é avançada pelo "The Guardian" esta quarta-feira, uma semana depois de a Autoridade Tributária norte-americana ter multado a fundação do candidato republicano por causa de uma doação ilegal de campanha

O procurador-geral de Nova Iorque abriu um inquérito à conduta da Fundação de Donald Trump, a organização de caridade do candidato presidencial republicano, avança o "The Guardian" em exclusivo esta quarta-feira, citando uma fonte familiarizada com o processo.

Em entrevista à CNN, o procurador Eric Schneiderman disse na terça-feira à noite que tinha estado a "examinar a Fundação Trump para ter a certeza de que cumpre todas as leis aplicadas às instituições de caridade em Nova Iorque" mas não avançou mais pormenores sobre o caso.

"O meu interesse neste assunto", disse o responsável ao canal norte-americano, "tem a ver com a minha capacidade como regulador de organizações sem fins lucrativos no estado de Nova Iorque" e prende-se com "preocupações de que a Fundação Trump possa ter-se envolvido em alguma atividade imprópria desse ponto de vista." Na mesma conversa, Schneiderman explicou que o seu gabinete já trocou correspondência com a Fundação do magnata do imobiliário, mas que não quis "fazer uma grande cena nem uma conferência de imprensa".

Segundo a fonte citada pelo jornal britânico, o procurador-geral de Nova Iorque já "abriu um inquérito à Fundação Trump com base em transações problemáticas que recentemente vieram à luz", sem avançar o que envolve essa investigação.

A notícia surge uma semana depois de a Autoridade Tributária norte-americana ter multado a Fundação Trump em 2500 dólares (cerca de 2225 euros) por ter feito uma doação ilegal para a campanha da procuradora-geral da Flórida, Pam Bondi, uma apoiante de longa data do agora candidato presidencial que decidiu não investigar alegadas irregularidades na Universidade Trump.

A postura de Schneiderman em relação a suspeitas de corrupção nos negócios e caridades do magnata tem sido oposta à de Bondi, de tal forma que Trump acusa o procurador, um democrata, de estar a tentar abrir um processo criminal contra ele por razões políticas.

Contactado pelo "The Guardian" para comentar a abertura da nova investigação, o diretor de comunicação da campanha de Trump voltou a acusar o procurador de Nova Iorque de partidarismo. "O procurador-geral Eric Schneiderman é um mercenário partidário que fez vista grossa à Fundação Clinton durante anos e que apoiou formalmente a candidatura de Hillary Clinton à presidência", acusou Jason Miller. "Isto não é mais que outro trabalho encomendado pela esquerda com o intuito de desviar as atenções da semana desastrosa que a Crooked Hillary Clinton ["desonesta" será a melhor tradução para a expressão que Trump colou à rival democrata] teve."

A Fundação Trump tem estado a ser escrutinada há vários anos por causa de uma série de irregularidades detetadas pelas autoridades ou pelos media. Uma investigação aprofundada de David Fahrenthold para o "Washington Post" apurou há uma semana que houve pelo menos cinco instâncias em que a instituição de caridade do republicano declarou doações que não recebeu ou em que Trump usou dinheiro doado à Fundação para comprar uma série de coisas para uso próprio — violações à luz das regras que se aplicam a organizações sem fins lucrativos.