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Estabilidade, solidariedade e segurança são as prioridades da Europa

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Jean-Claude Juncker no discurso do Estado da União em Estrasburgo

PATRICK SEEGER / EPA

Jean-Claude Juncker apelou à unidade da União para que se ultrapasse a crise existencial que vive. E disse que uma força militar com sede no continente permitiria complementar as funções da NATO

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

A unidade da Europa e a responsabilidade dos Estados-membros em manter vivo o valor do projeto europeu ocupou o centro do discurso do estado da união proferido esta quarta-feira em Estrasburgo por Jean-Claude Juncker. O presidente da Comissão Europeia declarou que os próximos 12 meses serão cruciais para a União na medida em que terá de reagir aos nacionalismos que se vêm afirmando com crescente robustez.

“A União Europeia não tem união suficiente” e “Há clivagens e fragmentações” na Europa foram duas das expressões usadas por Juncker, e citadas pela AP, num discurso onde anunciou uma série de medidas económicas e de segurança que têm por obetivo unir a Europa na sequência do voto britânico de 23 de junho para deixar o clube.

Apesar de este ter sido o primeiro discurso após 'Brexit', Juncker não se demorou no assunto e sublinhou que o resultado do referendo não está a pôr a UE em risco.
Mas que seja claro para Londres que a “Europa à la carte” não é uma hipótese. O presidente da Comissão aproveitou mesmo para repetir que o Reino Unido não poderia esperar continuar a ter acesso ao mercado interno da União sem aceitar a livre circulação das pessoas.

Uma força militar comum, mas paz acima de tudo

Um dos pontos do discurso de Estrasburgo foi a necessidade de a Europa ter uma força militar comum “com sede na Europa”. É por todos sabido que o Reino Unido sempre resistiu a esta ideia argumentando com o potencial conflito com a NATO. Juncker contra-argumentou dizendo: “Deveria ser um complemento à NATO. Mais defesa na Europa não significa menos solidariedade transatlântica”, disse, citado pela BBC, acrescentando que um Fundo de Defesa Europeu “estimularia a investigação e desenvolvimento militares”.

“Acima de tudo, Europa significa paz. E não é coincidência que o mais longo período de paz tenha começado com a formação da Comunidade Europeia”, disse.

Durante a sua intervenção, Donald Tusk sublinhou que “as chaves para um equilíbrio entre as prioridades dos Estados-membros e as da União residem nas capitais nacionais”, disse o presidente do Conselho Europeu concluindo: “As instituições devem apoiar as prioridades conforme acordadas entre os Estados-membros” ao contrário de imporem as suas próprias prioridades.

Manter a estabilidade, aumentarr a solidariedade e promover a segurança foram os conceitos-chave do discurso de Estrasburgo.