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Novo cessar-fogo mediado por EUA e Rússia não trava ataques na Síria

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GEORGE OURFALIAN/GETTY IMAGES

Às primeiras horas da trégua, após o sol se pôr na segunda-feira, foram registadas explosões em Alepo, Deraa, Homs, Hama e Deir ez-Zor. Observatório Sírio para os Direitos Humanos diz que, ainda assim, não houve registo de mortes de civis nas primeiras 15 horas

O cessar-fogo para a Síria anunciado em Genebra no sábado pelos chefes da diplomacia dos EUA e da Rússia entrou em vigor na segunda-feira à noite e, desde então, várias explosões foram registadas numa série de cidades do território sírio, embora não tenha havido registo de mortes de civis nas primeiras 15 horas da cessação de hostilidades.

A trégua entrou em vigor assim que o sol se pôs na segunda-feira, como previsto pela iniciativa de paz negociada por John Kerry e Sergei Lavrov, a 18.ª desde que a guerra da Síria começou em 2011. Horas antes de começar a ser aplicada, ainda no domingo, pelo menos 100 pessoas morreram na sequência de bombardeamentos aéreos contra zonas controladas pelos rebeldes que se opõem ao regime de Bashar al-Assad. Esta madrugada, já depois de ter entrado em vigor, foram registadas explosões numa linha de abastecimento dos rebeldes no leste de Alepo, bem como nas cidades de Deraa, Homs, Hama e Deir ez-Zor.

As esperanças de que o acordo de paz fosse cumprido eram e são baixas, depois de os vários grupos da oposição a Assad que participam nas conversações de paz em Genebra terem declarado que não podem obrigar os restantes a respeitar os termos do plano. Há disputas sobre que áreas continuam a ser alvos válidos de ataques e bombardeamentos durante os próximos sete dias, o período de aplicação da trégua para distribuição de ajuda humanitária, bem como sobre quem deve receber ajuda.

Citado pela BBC, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitoriza a guerra civil da Síria a partir de Londres, disse que apesar de a trégua não estar a ser totalmente respeitada, não houve registo de mortes de civis nas primeiras 15 horas do cessar-fogo temporário.

Em Washington, o secretário de Estado norte-americano congratulou-se com a redução de violência e o caráter esporádico das explosões registadas entre a noite de segunda-feira e esta madrugada, admitindo, contudo, que “ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas”.

“Haverá, sem dúvida, relatos de violações aqui e ali, essa é a natureza das tréguas”, disse John Kerry. “Mas apesar de todas as dúvidas que existem, e dos muitos desafios que vão surgir nos próximos dias, este plano tem hipóteses de funcionar.”

Na mesma conferência de imprensa, o chefe da diplomacia norte-americana desmentiu as notícias de que os EUA e a Rússia estão dispostos a autorizar o regime de Assad a conduzir ataques contra a antiga Frente al-Nusra, que recentemente mudou de nome ao anunciar o corte de relações com a Al-Qaeda. “O acordo anunciado na semana passada não contém qualquer alínea para que os EUA e a Rússia aprovem ataques do regime sírio e isto não é sequer algo que pudéssemos ponderar fazer”, garantiu. “Um dos objetivos primodiais deste acordo, na nossa perspetiva, é prevenir que a Força Aérea do regime sírio sobrevoe ou ataque quaisquer áreas onde a oposição [ao regime] ou a Nusra estejam presentes.”

Sob o acordo de cessação de hostilidades alcançado este fim-de-semana, Washington e Moscovo comprometem-se a trabalhar em conjunto para destronar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e a criar uma aliança inédita de ataques coordenados na Síria caso o cessar-fogo seja respeitado por todas as partes envolvidas.

“O objetivo do acordo, se e quando for estabelecido, é coordenar ações militares entre os EUA e a Rússia e mais nenhuma parte”, garantiu ontem Kerry, afastando a possibilidade de a administração Obama dar luz verde ao regime sírio aliado da Rússia para manter a campanha de ataques contra grupos que os três países classificam como terroristas.