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Investigação ao comboio acidentado em Espanha. “Tudo aponta para excesso de velocidade”

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JOSÉ COELHO / Lusa

Técnico da comissão de investigação refere que a sua função é investigar “as fraquezas e debilidades” do sistema ferroviário, tudo para “melhorar” o sistema e não para “encontrar culpados”. Acidente com comboio na Galiza matou quatro pessoas (incluindo o maquinista português) e fez 50 feridos

Um técnico da comissão de investigação de acidentes ferroviários indicou esta manhã que "tudo aponta para excesso de velocidade" como causa do acidente ferroviário de sexta-feira em O Porriño, Galiza, que matou quatro pessoas e deixou feridas dezenas.

À entrada do tribunal de O Porriño (Pontevedra, Galiza, noroeste de Espanha) – onde esta manhã serão abertas as caixas negras do comboio – Edmundo Parras explicou que a função da comissão a que pertence é investigar "as fraquezas e debilidades" do sistema ferroviário. Tudo para "melhorar" o sistema e não para "encontrar culpados", acrescentou Parras, sublinhando que a investigação do órgão que integra é independente da investigação judicial.

As caixas negras do comboio – que fazia o trajeto Vigo-Porto, operado conjuntamente pela CP e pela espanhola Renfe – serão abertas na presença de representantes da CP, da Renfe e das gestoras das redes ferroviárias de ambos os países, a portuguesa Refer e a espanhola Adif.

O equipamento recuperado do sinistro regista as velocidades do comboio, as distâncias e os sinais que recebeu. No entanto, não grava sons nem conversações na cabina do maquinista, apenas as comunicações com o posto de comando de Ourense, segundo explicou esta segunda-feira o presidente do comité de empresa da Renfe em Pontevedra, Luis Mariano de Isusi.

O comboio descarrilou às 9h25 da passada sexta-feira , com mais de 60 passageiros e tripulação a bordo. O maquinista português e dois outros elementos da tripulação, ambos espanhóis, morreram no acidente, bem como um turista norte-americano.

Cerca de meia centena de passageiros ficaram feridos no acidente, no qual um dos vagões ficou completamente tombado e outros dois semitombados.

A CP e a Renfe operam conjuntamente a linha Vigo-Porto desde 2011. Responsáveis de ambas as empresas asseguraram que o comboio tinha sido alvo de revisões recentes.

Também admitiram que na zona do acidente havia obras na linha, pelo que o comboio teve de passar por uma linha secundária, o que exigia uma diminuição de velocidade.