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Espanha retém corpo de maquinista português

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JOSÉ COELHO / Lusa

A documentação enviada pelas autoridades portuguesas para a polícia científica espanhola "não permite identificar oficialmente o corpo" do maquinista do comboio acidentado na Galiza

O corpo do maquinista português falecido no acidente ferroviário na Galiza (Espanha) pode não ser trasladado esta terça-feira para Portugal, uma vez que a polícia científica espanhola não confirma a identificação do corpo com os documentos enviados pelas autoridades portuguesas.

Na segunda-feira, fonte oficial do tribunal tinha dito à agência Lusa que o consulado de Portugal [em Vigo] tinha enviado o documento de identificação oficial, o que permitiria a verificação [da identidade] e a entrega do corpo para trasladação nesse mesmo dia.

No entanto, durante a verificação feita esta terça-feira de manhã, a polícia científica espanhola não conseguiu confirmar a identidade do corpo do maquinista com os documentos enviados pelas autoridades consulares portuguesas.

A documentação enviada "não permite identificar oficialmente o corpo", devido a questões relacionadas com impressões digitais, pelo que as autoridades consulares terão de enviar nova documentação, precisou a fonte do tribunal.

No acidente ferroviário de sexta-feira faleceram quatro pessoas, o maquinista de nacionalidade portuguesa, natural de Ermesinde, um cidadão norte-americano, e mais dois espanhóis (o revisor do comboio e maquinista estagiário) cujos funerais já se realizaram no domingo.

Excesso de velocidade

Um técnico da comissão de investigação de acidentes ferroviários, Edmundo Parras, indicou esta terça-feira que "tudo aponta para excesso de velocidade" como causa do acidente ferroviário de sexta-feira em O Porriño, Galiza.

Parras falava à entrada do tribunal de O Porriño (Pontevedra, Galiza, Noroeste de Espanha), onde hoje de manhã serão abertas as caixas negras do comboio.

As caixas negras do comboio - que fazia o trajeto Vigo-Porto, operado conjuntamente pela CP e pela espanhola Renfe - serão abertas na presença de representantes da CP, da Renfe e das gestoras das redes ferroviárias de ambos os países, a portuguesa Refer e a espanhola Adif.

O equipamento recuperado do sinistro regista as velocidades do comboio, as distâncias e os sinais que recebeu.

A CP e a Renfe operam conjuntamente a linha Vigo-Porto desde 2011. Responsáveis de ambas as empresas asseguraram que o comboio tinha sido alvo de revisões recentes.

Também admitiram que na zona do acidente havia obras na linha, pelo que o comboio teve de passar por uma linha secundária, o que exigia uma diminuição de velocidade.