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Diretor do “Charlie Hebdo” diz que italianos reagiram “histericamente” aos cartoons sobre o terramoto

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GETTY

O responsável da publicação satírica francesa diz que as reações “completamente desproporcionais” mostram que a “morte ainda é um tabu”, “especialmente quando nos afeta diretamente”, acrescentando que por vezes “precisamos de a transgredir um pouco”

Laurent "Riss" Sourisseau, o cartonista e diretor do “Charlie Hebdo”, considera que os cartoons que fizeram sobre o terramoto que atingiu a cidade italiana de Amatrice gerou reações “completamente desproporcionais”.

“Sismo à italiana” foi o título do primeiro cartoon do “Charlie Hebdo” que apresentava as vítimas do terramoto de 24 de agosto como pratos de comida italiana. “Penne com molho de tomate” e “penne gratinado” eram designações atribuídas a dois dos feridos, ladeados por pessoas soterradas entre os destroços - às quais o “Charlie Hebdo” atribui o termo “lasanha”.

A imagem gerou reações iradas entre italianos, que consideraram que a publicação satírica francesa tinha ofendido o país relativamente ao modo como satirizou as consequências do abalo.

A revista avançou então com um segundo cartoon que apresenta um sobrevivente entre os destroços a dizer “não é o Charlie Hebdo que constrói as vossas casas, é a máfia”.

Na segunda-feira, a autarquia de Amatrice disse que iria processar a publicação francesa pelos cartoons “macabros, sem sentido”, que consideraram ser “um absurdo insulto às vítimas “ do terramoto.

Em declarações à rádio France Inter, “Riss” disse que a ameaça do processo legal “não os impressiona de todo” e que os irado comentários nas redes sociais consistem numa reação “completamente histérica”.

“Nós temos dezenas e dezenas de desenhos como aqueles (…) Para nós é um cartoon de humor negro como aqueles que fizemos no passado, não tem nada de excecional e as reações nas redes sociais são completamente desproporcionais”, afirmou.

“Nós apercebemo-nos que a morte ainda é um tabu (…) especialmente quando nos afeta diretamente”, acrescentou, recordando que os italianos não reagiram dessa maneira quando fizeram cartoons sobre o terramoto do Haiti em 2010. “Por vezes, nós temos de transgredir a morte um pouco”, concluiu.