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Deputados da Câmara expulsam Eduardo Cunha por causa de contas na Suíça

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Eduardo Cunha

FERNANDO BIZERRA JR. / EPA

Deputado e ex-presidente da Câmara foi acusado de mentir à Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras sobre existência de contas não-declaradas para onde terá desviado milhões de reais em subornos. 450 dos 513 deputados votaram a favor da cassação do seu mandato

O poderoso ex-presidente da câmara baixa do Congresso brasileiro, Eduardo Cunha, perdeu o seu assento parlamentar após uma maioria absoluta dos deputados ter votado a favor da cassação do seu mandato esta terça de madrugada (hora de Lisboa), pelo facto de ter mentido à comissão parlamentar de inquérito que está a analisar o caso Petrobras.

Membro do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e tido como o arquiteto do processo de destituição de Dilma Rousseff, Cunha enfrenta agora a possibilidade de prisão por ter alegadamente desviado dinheiro para contas não-declaradas na Suíça. Conhecido como “o guardião dos segredos” do Congresso, onde dezenas de políticos, da direita à esquerda, enfrentam acusações ou suspeitas de fraude e corrupção, Cunha tem dado a entender que está disposto a colaborar com os investigadores da Lava Jato.

O ex-presidente da Câmara viu o seu mandato ser suspenso pelo Supremo Tribunal Federal em maio, decidindo renunciar à liderança da câmara baixa do Congresso no início de julho. “Estou a pagar um preço alto por ter dado início ao impeachment” de Dilma, disse na altura sobre a investigação que foi aberta contra si por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

Apesar de negar a existência de contas secretas na Suíça e de garantir que nunca desviou dinheiro para lá, informações das autoridades daquele país comprovam a existência dessas contas com um recheio de cinco milhões de reais (1,37 milhões de euros), subornos que Cunha terá recebido no âmbito do esquema instalado dentro da petrolífera estatal.

Para que o seu mandato fosse cassado eram necessários os votos a favor de pelo menos 257 do total de deputados. Acabaram por ser 450 os deputados que votaram a favor da sua expulsão, contra 9 abstenções e 10 votos contra, numa votação tida como fulcral para garantir a credibilidade do Congresso brasileiro após o afastamento de Dilma no final de agosto.

No encerramento do debate na segunda-feira à noite, Cunha voltou a acusar os apoiantes da Presidente afastada de quererem vingar-se dele. Na mesma votação, a maioria dos deputados votou a favor de impedir o político de 57 anos de se candidatar a cargos públicos durante os próximos oito anos, uma medida à qual Dilma escapou durante o seu julgamento no Senado.

Apesar de também estar impedido de ser candidato por ter violado a lei eleitoral, Michel Temer, do PMDB e até maio vice-presidente do Governo Dilma, conseguiu chegar à Presidência do Brasil após o afastamento da líder, do Partido dos Trabalhadores (PT), por “pedaladas fiscais” no Orçamento de Estado.