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Internacional

Pneumonia de Clinton lança democratas para "território político inexplorado"

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Horas depois de abandonar a cerimónia do 11 de setembro por estar "desidratada", Clinton garantiu que estava bem à saída de casa da filha

Justin Sullivan

Para já nada indica que a candidata democrata vá desistir da corrida presidencial, após ter sido revelado que foi diagnosticada com uma infeção pulmonar na sexta-feira e que ocultou essa informação dos media. Mas só uma hipotética desistência poderá levar outro candidato que não ela a disputar as presidenciais de novembro com Donald Trump

Se os rumores de que Hillary Clinton não está bem de saúde e que está a esconder esse facto dos eleitores eram apenas isso, rumores, essa situação alterou-se este fim de semana quando foi revelado que a candidata presidencial democrata sofre de uma pneumonia, que já a obrigou a cancelar os dois dias de eventos de campanha que tinha programados para esta segunda e terça-feira na Califórnia.

Este domingo, durante a cerimónia de homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 no Ground Zero, em Nova Iorque, a ex-secretária de Estado sentiu-se mal e teve de abandonar o recinto, tendo sido levada para casa da filha em Manhattan. Pouco depois, a sua médica informava em comunicado que, na sexta-feira, Clinton foi diagnosticada com uma pneumonia para a qual lhe foram receitados antibióticos e que o quase desmaio de domingo tinha a ver com isso.

Num outro comunicado, a sua campanha informou que a democrata sofreu de "desidratação", apesar das temperaturas amenas registadas na cidade durante a manhã de domingo, e garantiu que ela já estava bem. Ainda assim, a sua equipa decidiu cancelar os eventos de angariação de fundos e o discurso sobre a economia norte-americana que Clinton tinha programados para os próximos dois dias.

Ao longo das últimas semanas, a situação clínica da antiga senadora foi sendo alvo de especulações pelos seus rivais republicanos, com Donald Trump a liderar as acusações de que Clinton está a esconder o seu verdadeiro estado de saúde, debilitado, alegando que, por isso, não tem capacidades para ser eleita Presidente dos EUA. A campanha da democrata foi sempre acusando a oposição de retórica da conspiração, mas a situação acaba de complicar-se.

Se a democrata não der mostras de melhorar, o que pode acontecer daqui até ao dia 8 de novembro, quando milhões de americanos serão chamados às urnas para escolher entre ela e o candidato republicano Donald Trump? Essa é a pergunta que assola muitos analistas e eleitores desde este domingo.

Segundo fonte do Partido Democrata, para já não há planos de ação nem uma alternativa definida. "Podemos criar planos de contingência, discutir, implorar a Hillary Clinton [que desista da corrida presidencial], mas a verdade é que as regras do Comité Nacional Democrata são claras sobre depender totalmente dela" abandonar a corrida ou disputar as eleições, disse a fonte sob anonimato, citada pelo jornalista David Shuster.

O que isto significa é que o Partido Democrata só poderá escolher outro candidato se for a própria Hillary a decidir desistir da corrida à Casa Branca. Os democratas encontram-se assim no que o mesmo elemento classifica de "território político inexplorado" e, também segundo a mersma fonte, já ponderam convocar uma reunião de emergência para debater um plano de ação e um possível substituto caso a saúde da candidata a obrigue a desistir. E se isso acontecer?, questiona o britânico "Telegraph".

O vice-presidente dos EUA é o favorito à hipotética substituição de Clinton

O vice-presidente dos EUA é o favorito à hipotética substituição de Clinton

Mark Makela

Ou Joe Biden ou Bernie Sanders

De acordo com as regras do Partido Democrata, é o comité nacional que está responsável por escolher outro candidato caso Hillary Clinton desista da corrida e, neste momento, as figuras mais bem colocadas para o lugar são o vice-presidente dos EUA Joe Biden e o senador Bernie Sanders – que Clinton destronou nas primárias democratas com a ajuda desse mesmo comité (que, foi revelado na altura, conspirou contra o rival da ex-secretária de Estado, num escândalo que, em julho, levou à demissão de Debbie Wasserman, até então secretária-geral do partido).

No caso da antiga primeira-dama desistir, será convocada uma reunião especial com os membros da direção do partido, com cada um a votar no candidato favorito ao lugar deixado vago. Nem Sanders nem Tim Kaine, atual candidato à vice-presidência pelo Partido Democrata, receberão tratamento especial nessa votação. E se Kaine não for escolhido para substituir a candidata, continuará a ser candidato à vice-presidência.

Há alguns meses, a possibilidade de Clinton desistir foi já tinha sido levantada perante o furor mediático em torno do chamado escândalo de emails, por ter usado um servido privado enquanto secretária de Estado no primeiro mandato de Barack Obama. Nessa altura, o nome de Joe Biden foi o que angariou maiores apoios para a eventual substituição.