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Independentistas catalães fazem nova demonstração de força em plena crise política em Espanha

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JOEP LAGO

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Barcelona e de outras quatro cidades da Catalunha este domingo, no feriado da Diada, em defesa dos planos para um referendo secessionista

Pelo quinto ano consecutivo, centenas de milhares de pessoas mobilizaram-se nas ruas de Barcelona e de outras cidades da Catalunha no feriado nacional catalão da Diada, celebrado este domingo, para exigirem um referendo à secessão com Espanha. Mas pela primeira vez esses protestos aconteceram não num período de relativa estabilidade mas em plena crise política, numa altura em que Espanha continua sem governo eleito e à beira de uma terceira ida às urnas em menos de um ano.

De acordo com a BBC, cerca de 800 mil pessoas participaram nas marchas independentistas em Barcelona, Tarragona, Lleida, Berga e Salt (em Girona), com a polícia a dizer que, só na capital da região autónoma, houve 540 mil pessoas nas ruas. O número é alto mas ainda assim muito inferior ao que foi registado na Diada do ano passado, quando cerca de um milhão e 400 mil pessoas participaram nos protestos só em Barcelona.

Discursando aos manifestantes naquela cidade, o novo presidente da generalitat, Carles Puigdemont, pediu apoio à causa para "converter a Catalunha num Estado independente", numa altura em que têm emergido cisões entre a coligação de partidos independentistas que venceu as últimas eleições regionais, a lista Juntos pelo Sim, e a Candidatura de Unidade Popular (CUP), que forçou a saída de Artur Mas da presidência regional após esse plesbiscito, em setembro do ano passado.

Puigdemont, que foi autarca de Girona entre 2011 e o ano passado, substituiu Mas à frente do Governo catalão em janeiro e tem defendido desde então a negociação da independência catalã com Madrid. O Governo central espanhol, liderado pelo conservador Mariano Rajoy desde 2011, tem-se recusado sempre sentar-se à mesa de negociações com os catalães, tendo recorrido ao Tribunal Constitucional em 2014 para impedir o referendo independentista convocado para novembro desse ano, que a alta instância ditou ilegal e que acabou por ser uma consulta popular de resultados não-vinculativos.

Cerca de 80% dos eleitores que foram às urnas nesse ano votaram a favor da independência, abrindo ainda mais o fosso entre Madrid e a região autónoma, cujos 7,5 milhões de habitantes representam 16% do total da população de Espanha e cujas receitas correspondem a quase 19% do PIB nacional.

A Diada – o feriado em que os catalães recordam a ocupação de Barcelona em 1714 pelas tropas leais ao Rei Filipe V de Espanha, durante a Guerra da Sucessão – tem servido desde 2011 para enormes protestos a favor da independência da região. O "New York Times" sublinha que Puigdemont se tornou o primeiro presidente da generalitat a participar nos protestos anuais, seguindo um caminho inverso ao de Artur Mas, que sempre apoiou as manifestações da Diada mas nunca fez qualquer aparição num desses protestos ao longo do seu mandato.

Durante a manhã desteb domingo, o chefe do Governo catalão garantiu aos jornalistas estrangeiros, em conferência de imprensa, que, no próximo ano, por altura da Diada, a Catalunha já estará "em transição" para a independência, sublinhando que vai usar o voto de confiança convocado para este mês no parlamento regional para apresentar uma nova proposta de referendo ao Governo interino central, ainda ao leme de Rajoy.

Em novembro passado, quando se marcou um ano da consulta não-oficial à independência da Catalunha, o parlamento catalão aprovou uma moção separatista para abrir caminho a um referendo vinculativo, que voltou a ser rejeitada por Rajoy e reencaminhada para o Tribunal Constitucional.