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Erdogan suspende 11 mil professores por alegadas ligações ao PKK

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ADEM ALTAN/GETTY

Nova purga no sector da Educação integra “maior operação de sempre” do Governo turco contra os curdos da Turquia

O governo da Turquia deu ordens para suspender mais de 11 mil professores do país sob suspeita de ligações ao ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e aos seus combatentes. A purga coincidiu com o anúncio pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, da "maior operação de sempre" contra o grupo separatista no sudeste do país. "Vamos remover funcionários públicos com ligações ao PKK", prometeu Erdogan num encontro de governadores em Ancara na noite de ontem. "Este é um elemento-chave da nossa luta contra [os curdos]."

Na sua conta de Twitter, o Ministério da Educação confirmou que um total de 11285 professores e outros funcionários do ensino público "ligados à organização terrorista separatista foram suspensos". A maioria deles vai receber dois terços dos seus salários até que uma investigação formal seja concluída, avança a agência estatal Anadolu.

No início deste mês, durante uma visita a Diyarbakir, cidade de maioria curda no sudeste do país, o primeiro-ministro turco, Binali Yildrim, disse que cerca de 14 mil professores a dar aulas na região onde se concentra a minoria étnica eram suspeitos de ligações a grupos "terroristas" e que iam ser lançadas investigações para confirmar quantos deles mantêm alegadamente contacto ou relações com o PKK. "Falámos com o nosso ministro da Educação e todos os professores suspeitos serão suspensos e não serão autorizados a dar aulas no próximo ano letivo", referiu na altura.

Já ontem, num discurso aos governadores turcos responsáveis por compilar listas de suspeitos ligados ao PKK no rescaldo do golpe de 15 de julho, Erdogan pediu-lhes "determinação" e "justiça" na tomad de decisões sobre quem deve integrar as listas de funcionários a serem suspensos. "Não quero que entrem numa corrida para ver quem vai suspender o maior número de pessoas", disse o Presidente. "Só quero que sejam justos."

No mesmo encontro, Yildrim disse aos responsáveis locais que não podem ceder a "hesitações" nem à "timidez" em relação a qualquer suspensão. "De acordo com [um recente] decreto legal, os governadores de província estão completamente autorizados [a fazer o que for preciso] nos casos de cidades que estejam ligadas ao terrorismo ou que o apoiem de uma forma ou de outra. Não permitam que os recursos do país sejam transformados em balas contra as forças de segurança", acrescentou Yildrim, em referência à série de ataques levadas a cabo nas últimas semanas no sudeste do país, que o Governo atribui ao PKK. "Isto é uma responsabilidade séria. Não hesitem."

A purga na Educação segue-se a uma limpeza em massa de dezenas de milhares de funcionários públicos de vários setores, incliundo de ministérios, no rescaldo da tentativa falhada de golpe de Estado que terá sido executada por uma fação do Exército em meados de julho.

A isto juntou-se entretanto uma operação de enorme escala lançada pelas forças turcas na vizinha Síria há mais de uma semana, que tem como alvos militantes do autproclamado Estado Islâmico (Daesh) mas também os combatentes curdos sírios (peshmerga) que têm lutado contra o grupo radical no terreno.

A Turquia teme que uma derrota do Daesh na Síria e no Iraque dê força às populações curdas dos dois países e que isso tenha como resultado o reforço das aspirações de autonomia dos curdos turcos. O PKK recorreu às armas, desde 1984, para lutar pela autodeterminação dos curdos. Há dois anos, contudo, anunciou o abandono da luta armada, para dar início a conversações de paz com as autoridades turcas e pôr fim a um conflito que clamou as vidas de mais de 40 mil pessoas ao longo de duas décadas. O cessar-fogo que tinha sido negociado ruiu assim que Ancara se juntou à coligação internacional liderada pelos EUA para derrotar o Daesh, altura em que retomou os ataques contra os curdos do sudeste.