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Internacional

EUA e Rússia retomam negociações de paz para a Síria

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YURI KOCHETKOV

Depois de o encontro de John Kerry e Sergei Lavrov ter sido posto em causa, o secretário de Estado norte-americano aterrou esta sexta-feira de manhã em Genebra para tentar relançar o processo de paz com o homólogo russo

John Kerry aterrou esta sexta-feira de manhã em Genebra para retomar as negociações de paz para a Síria com o homólogo russo, Sergei Lavrov, confirmou o Departamento de Estado dos EUA em comunicado. O ministro russo dos Negócios Estrangeiros chegou a Genebra ontem, onde esteve reunido mais de uma hora com o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, em preparação das conversações que deverão ter início esta sexta-feira.

O Secretário de Estado norte-americano também tinha a sua viagem para Genebra planeada para quinta-feira, mas a partida foi adiada para tentar negociar com a Rússia aliada de Bashar al-Assad os termos de uma trégua antes de voar até à Suíça. Horas antes, o porta-voz do departamento, Mark Toner, tinha dito que o facto de algumas das cisões sobre "questões técnicas" continuarem por resolver tornava "desnecessário" o encontro entre Kerry e Lavrov.

Nenhuma explicação foi avançada para a alteração de postura nem é claro para já se as diferenças que separam os EUA e a Rússia quanto à rota para a paz na Síria continuam por resolver ou se Kerry considerou que uma viagem até à Suíça pode ser suficiente para reavivar o processo de paz suspenso há alguns meses e assim ser alcançado um acordo final. No início da semana, o secretário de Estado norte-americano tinha sublinhado que "há questões complicadas a ultrapassar para se alcançar um cessar-fogo na Síria".

Ao longo das últimas semanas tem sido avançado por vários media que o plano de paz para a Síria deverá começar com a implementação de um cessar-fogo dentro e ao redor de Aleppo, prevendo-se o fim do cerco à cidade pelas forças sírias e dos bombardeamentos aéreos do regime de Assad contra civis, bem como uma campanha coordenada entre os EUA e a Rússia contra grupos que os dois países designam como terroristas, entre eles o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) e o Jabhat Fatah al-Sham, antiga Frente al-Nusra que, em finais de julho, anunciou a mudança de nome e o corte de relações com a Al-Qaeda.

Na quarta-feira, fontes da administração Obama disseram que, entre as últimas diferenças entre Washington e Moscovo que estão por resolver, conta-se a exigência dos EUA para que se demarque territorialmente uma separação entre o Jabhat Fatah al-Sham — que os dois países consideram um alvo legítimo — e outros grupos da oposição, uma exigência a que a Rússia não acede.

Esta quinta-feira, fonte da diplomacia europeia disse que já só havia um ponto de contenda a dividir os Governos russo e americano, sem referir se se trata da questão em torno das posições da ex-Frente al-Nusra.

Num relato dos avanços mais recentes das negociações de paz entre Kerry e Lavrov enviado a 3 de setembro aos grupos rebeldes moderados que se opõem a Bashar al-Assad, o enviado norte-americano para a Síria, Michael Ratney, dizia que estava a ser muito difícil manter as conversações de paz com Moscovo porque estão "a matar sírios diariamente".