Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Coreia do Norte confirma quinto teste nuclear, o mais potente até hoje

  • 333

Chung Sung-Jun

Informação foi inicialmente avançada pela Coreia do Sul, que registou um “evento sísmico” numa das centrais do Norte. Seul suspeita que este foi o maior teste já executado por Pyongyang, o que pode significar importantes avanços do regime

A Coreia do Norte anunciou esta sexta-feira de manhã que executou o seu quinto teste nuclear, horas depois de Seul ter registado um enorme "evento sísmico" perto de uma das centrais dos adversários, após o encerramento da cimeira das nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que juntou no Laos os líderes dos EUA, Coreia do Sul, Japão e outros países da região.

Seul acredita que a explosão da ogiva teve o dobro da força da que foi originada pelo teste nuclear conduzido por Pyongyang em janeiro, altura em que centenas de sul-coreanos saíram à rua para se manifestarem contra as experiências a Norte. Terá sido a mais forte de sempre, o que eleva os receios de que o regime possa ter alcançado avanços substanciais no seu programa nuclear.

Na televisão, a Presidente sul-coreana, Park Geun-hye, classificou o teste como mais um passo "no caminho para a autodestruição" dos norte-coreanos, um que demonstra a "imprudência maníaca" do seu líder, Kim Jong-un. Os Estados Unidos já avisaram que o teste, proibido sob uma série de resoluções e sanções do Conselho de Segurança da ONU, terá "sérias consequências". O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, por sua vez, disse que Pequim se opõe resolutamente à ação, pedindo à Coreia do Norte que evite ações futuras que possam deteriorar ainda mais a situação.

As autoridades do Norte falam no teste de uma "ogiva nuclear acabada de desenvolver" e dizem que, neste momento, estão com capacidades acrescidas para montar um aparelho nuclear em mísseis balísticos. Analistas dizem que este é o mais forte indicío de que Pyongyang pode estar mais perto do que nunca de conseguir criar uma bomba nuclear "utilizável".

A Casa Branca diz que Barack Obama já falou tanto com Park como Shinzo Abe, o primeiro-ministro japonês, para "reiterar o compromisso inquebrável dos EUA com a segurança dos nossos aliados na Ásia e no resto do mundo". "O Presidente indicou que vai continuar a consultar os nossos aliados e parceiros nos próximos dias para garantir que ações provcatórias da Coreia do Norte terão sérias consequências", disse o porta-voz da administração, Josh Earnest.

Num outro comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse que "hoje, [a Coreia do Norte] voltou a conduzir um teste nuclear apesar da oposição internacional generalizada; o Governo chinês opõe-se com firmeza ao teste", que inicialmente foi detetado como um sismo de magnitude 5,3 na escala de Richter esta madrugada, no nordeste do país, perto da central Punggye-ri. Tal como com testes nucleares anteriores, o mais recente deles em janeiro, a onda sísmica registada indicou que o sismo não tinha ocorrido naturalmente.

Em comunicado, os chefes das forças armadas sul-coreanos disseram que a detonação teve um impacto de cerca de 10 quilotoneladas, fazendo deste "o mais forte teste nuclear" do Norte até hoje. Esse é quase o dobro do poder do teste de janeiro, em que Pyongyang disse ter testado uma bomba de hidrogénio, uma alegação posta em dúvida por vários analistas e lídres políticos.

Para comparação, a bomba nuclear que os Estados Unidos largaram sobre Hiroshima em 1945, na reta final da II Guerra Mundial, teve um impacto de cerca de 15 quilotoneladas. As autoridades da Coreia do Sul e de outros países da região já estavam a antecipar o teste desta madrugada há algum tempo, após imagens de satélite terem mostrado, nos últimos meses, intensa atividade na central de Punggye-ri. O Executivo nipónico diz que já enviou meios aéreos para a zona a fim de analisar o ar em busca de vestígios de radioatividade.