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Internacional

Ligações da ONU a Assad levam mais de 70 ONG a cessar cooperação

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Sírios à espera da chegada de ajuda em Madaya.

Marwan Ibrahim/AFP/Getty Images

As organizações prestam ajuda humanitária a mais de 7 milhões de sírios

Numa carta dirigida à Organização das Nações Unidas (ONU), 73 Organizações Não-Governamentais (ONG) que prestam auxílio na Síria queixam-se que o Governo de Bashar al-Assad, Presidente sírio, exerce uma “influência significativa” sobre a organização e que, por esse motivo, vão suspender o acordo de cooperação.

As ONG estão preocupadas com a manipulação no que toca à ajuda humanitária prestada porque dizem que esta é afetada pelos interesses políticos do Governo sírio, principalmente nas zonas cercadas onde dizem que populações são privadas dos programas de ajuda e de assistência médica. “O Governo sírio já interferiu por diversas vezes com a prestação de ajuda humanitária”, garantem as 73 organizações que dizem que já não têm grandes expectativas de que a situação sofra alterações.

“Pensamos que seria razoável fazer pressão junto da ONU para não usar a fome como arma de guerra”, confessam as organizações que não acreditam que a resposta humanitária das Nações Unidas seja independente das prioridades políticas do Governo sírio e que, por consequência, o povo tem sofrido ainda mais.

As ONG dão ainda conhecimento da morte de 65 pessoas como resultado de má-nutrição em Madaya entre novembro de 2015 e maio de 2016, cuja assistência médica teria evitado a perda destas vidas mas que lhes foi negada permissão para atuarem. Porém Madaya é apenas um exemplo dos milhões de sírios que vivem com ajuda médica limitada.

As 73 organizações anunciam assim a suspensão da sua participação no mecanismo de partilha de informação denominado "Toda a Síria", o que significa que a ONU vai deixar de saber o que se passa no norte da Síria e nas áreas que estão sob o controlo da oposição, nas quais estas organizações efetuam a maior parte do seu trabalho.

Pedem ainda que seja feita uma investigação “transparente” sobre a influência política do Governo na ajuda humanitária, sobre a informação publicada nos media a criticar a performance da ONU em Damasco e a morte dos gémeos Moaz e Nawras Hashash, que morreram com apenas um mês de vida enquanto esperavam para viajar para o estrangeiro pois precisavam de ser operados.

Numa carta para o The Guardian, Stephen O’Brien, sub-secretário-geral da ONU para assuntos humanitários, diz que a ONU tem de trabalhar com o Governo “para ajudar na prestação de serviços públicos e ajuda humanitária”. O’Brien acrescenta que “a imparcialidade das operações humanitárias da ONU é fundamental para salvar vidas e o foco da organização é chegar até às pessoas necessitadas”.

Na semana passada, o jornal The Guardian revelou que a ONU atribuiu contratos no valor de dezenas de milhões de dólares a pessoas próximas de Assad.