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Há um movimento para ajudar os refugiados que ajudaram Edward Snowden

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Edward Snowden encontra-se a residir desde 2013 em parte incerta da Rússia

Mark Blinch/Reuters

Apoiantes do delator norte-americano estão a enviar dinheiro aos migrantes clandestinos que, em 2013, ajudaram Snowden a permanecer escondido em Hong Kong antes de o americano fugir para a Rússia. Advogados do ex-agente da NSA temem que os “anjos da guarda” sofram represálias agora que foram identificados

Até há poucos dias não se sabia como é que Edward Snowden conseguiu viver escondido em Hong Kong nas primeiras semanas de "fama", entre o momento em que revelou que a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA mantém programas secretos de vigilância massiva dos seus cidadãos e a fuga para Moscovo, onde vive exilado há mais de três anos após ter sido formalmente acusado de traição e espionagem no seu país.

Esta semana foi revelado que depois de ter passado alguns dias no Hotel Mira após aterrar em Hong Kong, a partir de onde fez as primeiras revelações em 2013, o delator esteve a viver em apartamentos de refugiados que o ajudaram a esconder-se até conseguir fugir para a Rússia, no final de julho.

Foi Robert Tibbo, um dos advogados do ex-agente da NSA na região especial administrativa chinesa, quem revelou os pormenores ao canadiano "National Post". Na entrevista, publicada na quarta-feira e citada pelo "The Guardian", Tibbo explica que, depois de se instalar na Rússia, Snowden enviou 1000 dólares (cerca de 888 euros) a cada família que lhe deu guarida e que vários apoiantes do delator também têm enviado doações.

Um casal de refugiados do Sri Lanka, Supun Thilina Kellapatha e Nadeeka, foi o primeiro a dar guarida a Snowden na sua casa num dos bairros mais pobres de Hong Kong. Dali, o ex-agente da NSA mudou-se para outro apartamento, de Vanessa Mae Bondalian Rodel, uma filipina que vive com a mãe e a filha à espera de asilo.

Snowden mudou-se mais uma vez antes de partir para Moscovo, desta feita para casa de Ajith Pushpakumara, outro nacional do Sri Lanka, que o ajudou a movimentar-se pela cidade até à sua fuga. Os apelidos de todos os "anjos da guarda" de Snowden foram ocultados pelo "National Post" na reportagem de quarta-feira, mas essa informação, diz Tibbo, já foi apurada pelas autoridades.

A equipa de defesa de Snowden em Hong Kong teme que, agora que foram identificados, os refugiados possam vir a sofrer represálias, razão pela qual estão a angariar dinheiro para as famílias na eventualidade de terem de fugir.

Depois de ter divulgado dezenas de milhares de documentos secretos da NSA e da GCHQ, a principal agência secreta do Reino Unido, a um grupo de jornalistas que convocou ao Hotel Mira, Snowden exilou-se na Rússia com a ajuda e proteção de Tibbo e de Jonathan Man, o seu outro advogado em Hong Kong.

Para se proteger da ordem de extradição que os EUA acabaram por emitir contra ele — uma que, em outubro, foi chumbada pelo Parlamento Europeu — Snowden tentou obter estatuto de refugiado no gabinete das Nações Unidas na ilha. Quando lhe foi recusado, viveu alguns dias dividido entre as casas das famílias que o acolheram.

As novas informações foram avançadas por Tibbo ao "National Post" para se antecipar à estreia, esta sexta-feira, no festival de cinema de Toronto, de "Snowden", o biópico realizado a muito custo por Oliver Stone, que ao longo de meses esteve a pressionar os advogados do delator para saber mais pormenores sobre o que acontecera no período entre Snowden abandonar o hotel Mira e partir para Moscovo.

Num artigo que enviou ao mesmo jornal canadiano, Snowden expressou profundo agradecimento às pessoas que o ajudaram: "Imaginem que o dissidente mais procurado do mundo era trazido até à vossa porta. Vocês abririam a porta? Eles nem sequer hesitaram e eu estar-lhes-ei eternamente agradecido por isso."