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EUA e Turquia “prontos para invadir” capital do Daesh na Síria

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Mulheres veladas passam junto a um cartaz do Daesh que apela ao uso da burqa, em Raqqa, Síria

© Reuters

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, atribui a ideia a Barack Obama e diz que Ancara “não tem qualquer problema” em avançar com o plano

O Presidente da Turquia sugeriu esta quarta-feira que ele e Barack Obama estão preparados para expulsar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) do seu principal bastião na Síria, a cidade de Raqqa, onde se julga que entre 250 mil e 500 mil civis ainda vivem sob o jogo do grupo radical, em condições muito duras e sujeitas a tratamentos brutais.

Citado esta quarta-feira à noite pelos media turcos, Recep Tayyip Erdogan disse que foi o Presidente norte-americano quem, num encontro bilateral durante a cimeira do G20 na China, lançou a ideia de uma ação conjunta contra os militantes naquela que se tornou a capital de facto do grupo na Síria à medida que tem vindo a perder terreno. Da sua parte "não há qualquer problema" em avançar com essa ação, diz Erdogan.

"Obama quer fazer as coisas de forma conjunta no que toca a Raqqa", referiu o Presidente turco. "Nós dissemos que, da nossa perspetiva, isso não seria um problema. Eu disse: 'Os nossos soldados devem juntar-se e discutir, e o que for necessário será feito'."

No mês passado, Ancara lançou uma operação dentro da Síria com o objetivo de fragilizar e expulsar da sua fronteira não só o Daesh como os rebeldes curdos (peshmerga) que têm combatido o grupo extremista no terreno, apoiados pelos bombardeamentos da coligação internacional.

A Turquia teme que os apoios prestados aos sírios curdos pelos EUA e restantes aliados, incluindo dez nações árabes, galvanize o movimento separatista curdo dentro do seu território, onde o ilegalizado Partido para os Trabalhadores do Curdistão (PKK) luta há vários anos pela autodeterminação do povo étnico.

O Departamento de Estado norte-americano não confirmou nem desmentiu os detalhes do comunicado de Erdogan, mas segundo a BBC uma fonte do Ministério de John Kerry disse que foi importante que "forças locais" estivessem envolvidas na luta pela "derrota final" do Daesh.

"As atuais ações da Turquia na sua fronteira com a Síria, com o apoio dos EUA, está a ter um efeito importante para isolar Raqqa", disse esse oficial. "Isto é um passo muito importante para o nosso derradeiro objetivo de libertar Raqqa do controlo do ISIL [Estado Islâmico do Iraque e do Levante na sigla inglesa, como o grupo se autodenominou quando surgiu em 2014]."

Nas últimas semanas, milícias e veículos de combate turcos que entraram no país vizinho conseguiram expulsar os militantes do Daesh da cidade fronteiriça de Jarablus, com a Turquia a manter essa ofensiva em duas frentes, contra os radicais e contra as forças curdas, que Erdogan classifica de "terroristas".

Esta quarta-feira, o vice-primeiro-ministro turco, Nurettin Canikli, disse que as forças turcas podem vir a avançar ainda mais para dentro no território sírio assim que assegurarem o controlo da faixa de terra ao longo da fronteira partilhada. De acordo com Canikli, 110 militantes do Daesh ou curdos foram mortos desde o início da operação.

Na cimeira do G20, a Rússia, grande aliada do regime sírio de Bashar al-Assad, disse estar "profundamente preocupada" com os avanços turcos dentro do país vizinho. Ontem, o secretário de Estado norte-americano disse aos chefes da diplomacia dos aliados ocidentais que espera que o homólogo russo, Sergei Lavrov, chegue a acordo com os EUA para uma cessação das hostilidades na Síria durante as próximas 48 horas.

Kerry e Lavrov queriam ter conseguido anunciar um acordo na cimeira do G20 na segunda-feira mas esse acordo colapsou após os EUA terem acusado a Rússia de renegar anteriores compromissos para garantir apoios a Assad, combatido por vários grupos rebeldes desde 2011, o ano em que começou a guerra civil na Síria. Até ao final dsta semana, os dois ministros vão voltar a encontrar-se em Genebra para tentarem fazer renascer as negociações de paz.