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Clinton diz que não vai pôr tropas no Iraque. Para Trump, Putin é melhor líder do que Obama

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Alex Wong

No fórum televisivo desta madrugada, em que soldados veteranos colocaram questões aos dois candidatos presidenciais norte-americanos, o republicano centrou-se em ataques à política externa do atual Presidente, que classifica como “a mais estúpida”

Foi o primeiro frente a frente televisivo entre Hillary Clinton e Donald Trump antes das eleições presidenciais de novembro. Ou quase. O primeiro debate ente os rivais da corrida presidencial só está marcado para 26 de setembro, mas esta madrugada os dois aspirantes à Casa Branca encontraram-se no Museu Intrépido do Mar, Ar e Espaço em Nova Iorque, para um fórum de questões sobre política externa colocadas por veteranos americanos, transmitido em direto pela CBS News.

Mantendo a postura provocatória e o estilo errático que tem marcado a sua campanha, Trump concentrou-se em ataques à administração de Barack Obama, dizendo em tom desafiante que Vladimir Putin, o Presidente da Rússia, "tem sido um líder melhor do que o nosso Presidente", precisamente poucas horas depois de o Pentágono ter acusado Moscovo de "semear a instabilidade global" por causa de estratégias como dar apoio ao regime sírio de Bashar al-Assad e aos separatistas do leste da Ucrânia.

Matt Lauer, o moderador da espécie de debate, foi quem puxou pelo empresário tornado candidato republicano por causa da aparente troca de elogios com Putin nos últimos meses. "Ele [o líder russo] tem uma taxa de aprovação de 82%. Penso que quando diz que eu sou brilhante, devo aceitar o elogio, ok?", respondeu Trump. O líder russo, acrescentou, "detém um ótimo controlo sobre o seu país".

Ao longo da sessão de perguntas e respostas, o empresário e a ex-secretária de Estado deixaram a descoberto a profunda divisão entre eles no que toca a estratégias de política externa, com Clinton a ser mais uma vez atiçada por Trump com o escândalo de emails que a tem perseguido há mais de um ano, por ter usado um servidor privado de email enquanto chefe da diplomacia dos EUA no primeiro mandato de Obama.

A antiga senadora manteve sempre maior controlo sobre as suas respostas, defendendo o comportamento enquanto secretária de Estado antes de reiterar alguns dos tópicos de campanha relativos a política externa – à cabeça, a promessa de não enviar mais tropas para o terreno no Iraque como fez George W. Bush no pós-11 de Setembro de 2001, uma estratégia que, por causa da instabilidade na região, tem sido mantida por Obama apesar das suas promessas de retirar todos os soldados americanos do país.

Atualmente os EUA ainda têm cerca de cinco mil tropas destacadas no Iraque, a maioria delas conselheiros do Exército iraquiano a par de forças de operações especiais que conduzem e apoiam ataques aéreos contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh). Pilotos da Força Aérea americana e oficiais da Marinha também participam diariamente na campanha internacional de ataques aéreos que pretende derrotar o grupo radical no Médio Oriente.

Trump, pelo contrário, foi fiel ao seu estilo agressivo carregado de ataques à rival e aos seus apoiantes, em particular ao atual Presidente. Sem se comprometer com ações concretas caso seja eleito, o magnata do imobiliário, consecutivas vezes acusado de navegar um mar de populismo, demagogia e xenofobia para proveito próprio, manteve-se ao ataque, disse que a política externa que Obama tem seguido é "a mais estúpida" que já viu.

"Eu assumi responsabilidade pela minha decisão", disse a dada altura Clinton sobre o seu voto a favor da invasão do Iraque. "O meu opositor recusou-se a assumir responsabilidade pelo apoio dele", disse sobre o empresário que, não estando em qualquer cargo político à data dessa decisão, defendeu publicamente a guerra naquele país – a versão oposta à que tem mantido desde o início da corrida presidencial. Trump ignorou o ataque da rival e disse apenas que as decisões de Obama no plano externo "reduziram os generais a escombros", em resposta à pergunta de um veterano que o questionou sobre uma afirmação recente sobre saber mais sobre o Daesh do que o Exército norte-americano.