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Internacional

“Grande Muralha de Calais” vai mesmo ser construída

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CHARLES PLATIAU

A construção do muro com quatro metros de altura e um quilómetro de comprimento vai custar 2,3 milhões de euros ao Governo britânico

Robert Goodwill, secretário de Estado da Imigração britânico, anunciou que a construção do muro, que tem como objetivo impedir o acesso dos refugiados do campo “Selva” à estrada principal para o porto de Calais, está prevista para breve.

Apelidado de “Grande Muralha de Calais” pelo jornal Daily Mail, o muro terá uma altura de quatro metros e uma extensão de um quilómetro, cercando ambos os lados da estrada onde vários camiões já foram atacados pelos habitantes do campo de migrantes que tentam usar os camiões para atravessarem o Canal da Mancha e chegarem, desta forma, ao Reino Unido.

O início da construção do muro está previsto para este mês e é esperado que esteja pronto até ao final do ano. No local já existiam numerosas cercas que foram construídas para proteger o porto, o terminal do Eurotúnel e outras linhas de comboio em Calais que a BBC entende que se vão manter em funcionamento após a construção do muro.

Segundo as autoridades britânicas, o muro será edificado com um betão ligeiramente escorregadio, para que seja mais difícil escalá-lo, escreve a Lusa. A construção será dividida em duas secções, uma de cada lado da principal via de acesso ao porto, e será adornada com plantas e flores para reduzir o impacto visual no local.

Richard Burnett, chefe executivo da “Road Haulage Association” referiu que o plano refletia um “uso pobre do dinheiro dos contribuintes” e acrescentou que esse dinheiro seria melhor gasto para aumentar a segurança nas estradas à volta de Calais. Já François Guennoc, membro do Albergue dos Migrantes, grupo francês dedicado a prestar ajuda em Calais, refere que “é um desperdício de dinheiro” e que os refugiados “vão encontrar uma maneira de dar a volta ao muro”.

De acordo com a BBC, na segunda-feira, a estrada principal para Calais foi bloqueada por camionistas e agricultores franceses como forma de protesto para que o campo de refugiados seja fechado.