Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Forças de Assad acusadas de usar bombas com cloro em Alepo

  • 333

THAER MOHAMMED

Voluntários de equipas de emergência no terreno dizem que vários civis ficaram com dificuldades em respirar e tiveram de receber assistência médica após um ataque na área de Sukari, que provocou 80 feridos. Em agosto, ONU disse ter provas de que o regime já usou cloro pelo menos duas vezes

As forças do govermo sírio estão a ser acusadas de largarem bombas-barril contendo cloro a partir de helicópteros num subúrbio de Alepo, ferindo pelo menos 80 pessoas. A acusação foi feita por voluntários de equipas de emergência que acolheram os feridos num hospital da área de Sukari e que dizem que as dificuldades em respirar de que os civis sofriam são compatíveis com o uso de cloro em bombas.

Ibrahem Alhaj, um dos funcionários do grupo de voluntários sírios Defesa Civil Síria, que opera em áreas detidas pelos rebeldes, diz que ao chegar à cena do ataque em Alepo na terça-feira viu quatro cilindros de cloro que um dos helicópteros do regime tinha largado em Sukari.

No Facebook, o grupo publicou vídeos em que as crianças da área que ficaram feridas no ataque usam máscaras de oxigénio para ajudá-las a respirar, com enormes dificuldades. O mesmo grupo já tinha acusado o governo de outro ataque com cloro em agosto.

Para já, a denúncia ainda não foi verificada de forma independente, mas a confirmar-se o uso de cloro pelas forças de Bashar al-Assad, esta será no mínimo a terceira vez que o regime usa o gás extremamente venenoso contra a própria população, após uma investigação liderada pela ONU ter apurado, também em agosto, que o Governo usou cloro em pelo menos duas ocasiões distintas.

A Rússia, aliada do governo sírio que tem esquadrões da força aérea a ajudar as tropas sírias nos bombardeamentos contra rebeldes e contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), tem acusado os rebeldes de usarem cartuchos com "gás tóxico" contra as áreas de Alepo que estão sob controlo do regime.

Assad continua a desmentir o uso de armas químicas proibidas na guerra na Síria. As acusações renovadas surgem horas antes de um grupo de líderes da oposição síria se encontrarem em Londres esta quarta-feira para discutirem e apresentarem um novo plano de transição política, na tentativa de pôr fim à guerra civil atualmente no sexto ano consecutivo.

O Alto Comité de Negociações, o principal grupo político da oposição síria, vai ser recebido pelo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, e por outros chefes da diplomacia do chamado grupo de Amigos da Síria.

Também na terça-feira, a ONU disse que, após um breve período de entrega de ajuda humanitária este ano aos civis cercados em várias partes da Síria, os que continuam no território sírio viram a situação piorar para níveis quase inéditos. No seu 12.º relatório sobre a situação na Síria, a organização disse que a cessação de hostilidades em fevereiro permitiu que algumas zonas do país recebessem os primeiros pacotes de ajuda alimentar e médica pela primeira vez em anos, mas que isso só durou algumas semanas.

De acordo com a mesma investigação, neste momento há 600 mil sírios a viverem sob cerco e outros 300 mil presos na cidade de Alepo, onde no domingo as forças do regime terão conseguido recapturar algumas partes da cidade que tinham sido perdidas para os rebeldes há um mês.