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Internacional

Demitidos dois juízes do Prémio Nobel da Medicina

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JONATHAN NACKSTRAND / Getty Images

Motivo: tiveram um papel na contratação e defesa de um médico agora acusado de fraude e negligência criminosa

Luís M. Faria

Jornalista

Dois membros do comité que atribui o prémio Nobel da Medicina foram obrigados a demitir-se. Anders Hamsten e Harriet Wallberg, do prestigiado Instituto Karolinska, tinham defendido a contratação de Paolo Macchiarini, um médico italiano sobre quem há anos recaíam suspeitas, e que está a ser investigado pela sua eventual responsabilidade na morte de seis doentes. O próprio Macchiarini foi despedido do instituto em março.

O médico foi notícia originalmente em 2008, quando realizou o primeiro transplante de traqueia utilizando uma técnica nova que procurava minimizar o risco de rejeição, envolvendo o órgão transplantado em células cultivadas a partir de células do doente. Embora a mulher operada, Claudia Castillo, tenha tido complicações graves ao longo dos anos, Macchiarini continuou a realizar o procedimento. Em 2010, foi contratado como investigador pelo Instituto Karolinska e como consultor no seu hospital.

Em 2014, um dos operados morreu numa agonia horrível quando a sua traqueia se soltou. Já na fase crítica, Macchiarini não terá tido disponibilidade para o atender. Outro doente, um cidadão americano, morreu quatro meses após a operação. A mesma sorte teve uma bebé sul-coreana de três anos. Entretanto, na imprensa italiana circularam histórias de que Macchiarini exigia dinheiro para acelerar os procedimentos, e ele começou a ser acusado de práticas fraudulentas. Outros casos dramáticos se seguiram, e começaram as investigações. Mas o instituto parece ter sido demasiado lento a reagir, mesmo perante evidências expressas.

Em janeiro, um documentário na televisão sueca expos várias mentiras e afirmações não substanciadas ditas por Macchiarini. Logo na altura, um vice-chanceler do Instituto Karolinska demitiu-se. Era Hamsten, que, tal como Wallberg (diretor do instituto à data da contratação de Macchiarini), integrava o painel de cinquenta membros que atribui o Nobel da Medicina.

Esta segunda-feira, o governo sueco demitiu toda a cúpula do Instituto Karolinska. Quanto a Macchiarini, fontes da procuradoria sugerem que poderá vir a ser acusado de homicídio involuntário ou negligência criminosa. Atualmente, encontra-se em parte incerta.