Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Defensor do uso da burqa, Daesh proíbe... a burqa

  • 333

Mulheres veladas passam junto a um cartaz do Daesh que apela ao uso da burqa, em Raqqa, Síria

© Reuters

O autodenominado Estado Islâmico (Daesh) abriu uma exceção num dos seus princípios puritanos: por razões de segurança, em Mossul, as mulheres estão proibidas de entrar com burqa em infraestruturas relacionadas com a segurança

Margarida Mota

Jornalista

O autodenominado Estado Islâmico (Daesh) declarou guerra à burqa invocando razões de segurança. A medida aplica-se a vários edifícios militares ou infraestruturas relativas à segurança do grupo extremista, na cidade de Mossul (norte do Iraque), onde as mulheres não poderão entrar se trajarem burqa (vestimenta que cobre todo o corpo) ou niqab (lenço que cobre toda a cabeça, deixando apenas os olhos à mostra).

Os jiadistas abrem assim uma brecha num dos seus princípios puritanos até agora não negociável: a imposição do uso da burqa às mulheres, sob pena de serem espancadas pela chamada “polícia da moralidade” ou mesmo executadas.

O recuo nesta obrigação surge na sequência de vários ataques, nos últimos meses, levados a cabo por mulheres que disfarçaram armas nas suas vestes e que resultaram na morte de vários jiadistas, incluindo alguns comandantes.

A 5 de setembro, num posto de controlo em Sharqat (sul de Mossul), uma mulher tapada matou dois membros do Daesh usando uma pistola.

Fora dos centros militares e dos postos de segurança, as populações sob controlo do Daesh — na Síria, Iraque e Líbia — terão de continuar a respeitar o estrito código de vestuário, pelo menos enquanto a relação de forças na sua região não se alterar...

No início de agosto, após a libertação da cidade de Manbij pelas forças sírias, nas mãos do Daesh desde inícios de 2014, surgiram imagens de mulheres a queimarem burqas em público, como forma de celebração. “Maldita invenção estúpida que nos obrigaram a usar”, diz uma delas. “Somos seres humanos, temos a nossa liberdade.”

“Num eco surreal do recente angustiante debate em França sobre proibir ou não o burquíni nas praias”, escreve a agência noticiosa iraniana Al-Alam, “o Estado Islâmico alega agora preocupações com a segurança para proibir mulheres de taparem a cara nalgumas circunstâncias.”