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50 milhões de crianças vivem “desenraizadas” no mundo

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LOUISA GOULIAMAKI/GETTY

Vítimas da guerra, da pobreza ou de outras formas de violência, é alarmante o número de crianças que foram forçadas a abandonar as suas casas e, mesmo, os seus países. Relatório da Unicef é um alerta que a organização deixa a todos os governantes

Com tudo o que o número traduz em vulnerabilidade, pobreza e desenraizamento, pelo menos 50 milhões de crianças vivem deslocadas no mundo, depois de terem sido forçadas a abandonar as suas casas, alerta a Unicef.

O número consta do relatório “Desenraizadas: a crise que se agrava para crianças refugiadas e migrantes”, apresentado na terça-feira, e é um alerta que a organização das Nações Unidas deixa aos governantes, com a certeza de que se nada for feito, a realidade continuará a agravar-se.

Por causa dos diferentes conflitos e da violência, cerca de 28 milhões de crianças tiveram de partir. As que a guerra não ‘empurrou’ para fora de casa, a isso foram forçadas pela pobreza extrema ou pelas mudanças climáticas.

Em dez anos, diz a Unicef, o total de crianças refugiadas mais que duplicou, passando de quatro para 8,2 milhões. O relatório mostra que no final de 2015, pelo menos 31 milhões viviam refugiadas no exterior e 17 milhões estavam deslocadas, ainda que no interior dos seus próprios países de origem.

Sem grande surpresa, 45% dessas crianças refugiadas são provenientes de apenas dois países: Síria e Afeganistão.

Os motivos de preocupação são agravados pelo facto de continuar a aumentar o total de menores que viajam sozinhas. Também no ano passado, 100 mil pediram asilo em 78 países, ou seja, um número que triplicou a soma apurada em 2014.

“As imagens indeléveis das crianças vítimas — o pequeno corpo de Aylan Kurdi encontrado numa praia, afogado, ou o olhar perdido no rosto ensanguentado de Omrane Daqneesh, sentado numa ambulância após a destruição da sua casa — sacudiram o mundo inteiro”, lembrou Anthony Lake, diretor-geral da Unicef.

“Cada foto, cada menina ou menino simbolizam milhões de crianças em perigo e necessitamos que a compaixão que sentimos pelas vítimas que podemos ver se traduza em ações a favor de todas as crianças”, apelou.

O relatório da Unicef é publicado poucos dias antes da reunião de alto nível sobre refugiados e migrantes, que decorre a 19 de setembro na ONU. No dia 20, uma cimeira de líderes organizada pelo Presidente norte-americano, Barack Obama, será dedicado ao mesmo tema.

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