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Irão acusa Arábia Saudita de “homicídio premeditado” de peregrinos

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AMEL PAIN / EPA

Tensões entre os arquirrivais voltam a subir um ano depois de milhares de muçulmanos, mais de 400 deles iranianos, terem morrido numa debandada durante as celebrações do hajj em Meca

O aiatola Ali Khamenei, supremo líder do Irão, acusou na segunda-feira à noite as autoridades da Arábia Saudita de terem matado deliberadamente os peregrinos iranianos que foram vítimas da debandada registada em setembro do ano passado em Meca, durante as celebrações do feriado muçulmano hajj.

"Os sauditas homicidas e sem coração prenderam os feridos com os mortos dentro de contentores, em vez de lhes garantirem assistência médica e de os ajudarem ou de, pelo menos, lhes darem água para combater a sede", acusa Khamenei em comunicado, numa altura em que a cidade sagrada dos muçulmanos, localizada na costa oeste da Arábia Saudita, se prepara novamente para os festejos do feriado anual. "Eles assassinaram-nos", garante o ataiola nesse mesmo documento, que marca um ano desde o trágico evento, sem avançar quaisquer provas para sustentar estas acusações.

Reagindo à publicação, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita que é também ministro do Interior, Mohammed bin Nayef, acusou o Irão de estar a tentar "politizar" o hajj. À agência estatal saudita, Nayef disse ainda que Teerão decidiu não enviar os seus cidadãos para a peregrinação deste ano, que começa esta sexta-feira.

De acordo com uma contagem da Associated Press, pelo menos 2426 pessoas perderam a vida na debandada de 24 de setembro, um número bastante superior ao que foi inicialmente avançado pelas autoridades sauditas. Segundo Teerão, 464 das vítimas eram iranianas, e não 239 como disse a polícia saudita, e o incidente é da responsabilidade do país pela má gestão do evento anual que atrai centenas de milhares de muçulmanos a Meca para o ritual de "apedrejamento do diabo".

O desastre deu-se quando dois grupos distintos de peregrinos confluíram para o mesmo caminho em fuga da chuva intensa. O aiatola Khamenei também responsabiliza Riade pela queda de uma grua durante os prepativos do hajj de há um ano, um incidente que provocou mais de 100 mortos e 238 feridos, classificando de "satãs" os líderes do reino sunita – um dos dois grandes ramos do Islão, contrário ao xiismo seguido no Irão.

"Aqueles que reduziram o hajj a uma viagem turístico-religiosa e que esconderam a sua inimizade e maldade para com o povo fiel e revolucionário do Irão, acusando-nos de 'politizar o hajj', são eles mesmos pequenos satãs insignificantes que tremem com medo de prejudicarem os interesses do Grande Satã, os Estados Unidos", acusa ainda Khamenei no comunicado divulgado na noite desta segunda-feira.

Para o Governo saudita, o documento representa um "novo nível de baixaria" da parte dos iranianos. "Estas acusações não só são infundadas como foram programadas para servir apenas a propaganda antiética falhada [do Irão]", diz Abdulmohsen Alyas, vice-secretário saudita para as comunicações internacionais e media no Ministério da Cultura e Informação, citado pelo "The Guardian". "A Arábia Saudita continua preparada para servir os peregrinos e garantir a sua segurança e conforto."

Os resultados da investigação à tragédia do hajj no ano passado ainda não foram divulgados pelas autoridades sauditas, que este ano têm planos para atribuir uma pulseira eletrónica a cada peregrino e para aumentar o número de câmaras de vigilância no local.