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Theresa May questiona viabilidade de proposta dos pró-Brexit para controlar imigração

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Getty Images

Sistema por pontos “não é infalível”, reconheceu a primeira-ministra britânica à margem da cimeira do G20 na China

Theresa May admitiu ter algumas dúvidas sobre a validade e exequibilidade do sistema por pontos proposto pelos apoiantes da saída da União Europeia (Brexit) para controlar a imigração no Reino Unido. Falando aos jornalistas na China à margem da cimeira do G20, que esteve a decorrer este fim-de-semana na cidade de Hangzhou, a primeira-ministra britânica reconheceu que as pessoas que votaram a favor do Brexit no referendo de 23 de junho desejam mais controlo sobre os números de pessoas que se mudam anualmente para o Reino Unido — questionando, no entanto, se o sistema por pontos que foi uma das bandeiras de campanha dos brexiters, entre eles o ex-autarca londrino tornado ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, pode algum dia funcionar.

Esse sistema inicialmente implementado por Cameron, reconheceu May, "não é infalível" no que toca a dar respostas às preocupações dos cidadãos. "Uma das questões [em discussão] é se os sistemas por pontos funcionam ou não", disse May quando questionada sobre se esta proposta, que prevê a atribuição de vistos apenas com base nas habilitações e capacidades de cada imigrante, funciona. "Muitas pessoas falam num sistema baseado em pontos como tendo sempre sido a melhor resposta à imigração. Mas não existe uma opção infalível que seja a resposta em termos de lidar com a imigração."

Reconhecendo que "as pessoas votaram por mais controlos" e que o que pretendem "é um maior controlo sobre o movimento de pessoas dos países da UE para o Reino Unido", May sublinhou ainda assim que "é preciso ter um olhar abrangente" sobre o assunto. "É preciso olhar para uma série de questões. Não apenas para como é que vamos controlar as pessoas que chegam através de novas regras, mas também garantindo que estamos a extirpar o sistema de abusos e a lidar com as pessoas que estão comprovadamente [no Reino Unido] de forma ilegal."

No seu primeiro grande encontro internacional enquanto primeira-ministra do Reino Unido, após ter sucedido a David Cameron na liderança do Partido Conservador e do Executivo britânico no rescaldo da consulta popular de junho, May encontrou-se no domingo com Barack Obama e Vladimir Putin, antecipando-se para esta segunda-feira uma reunião com o Presidente chinês, Xi Jinping, antes de regressar a Londres.

Desde que tomou posse que tem enfrentado crescentes pressões dentro e fora da Europa para definir de que forma se vai proceder ao Brexit e que impactos terá essa saída da UE nas relações com aliados e grandes investidores, como os Estados Unidos e o Japão.

Dados atualizados sobre a imigração no Reino Unido mostram que a migração líquida continua acima das 320 mil chegadas, bem superior à figura de dezenas de milhares de novos imigrantes com que o Governo de Cameron se tinha comprometido antes de abandonar o poder perante a vitória do Brexit.

Esta semana, é esperado um anúncio formal do Governo de May ao Parlamento britânico sobre a estratégia que pretende seguir nas negociações do Brexit e que progressos já foram alcançados quanto a esse plano durante o verão, particularmente no encontro de ministros que teve lugar na semana passada em Chequers.