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Presidente filipino e a luta contra os traficantes: “Até o último fabricante de drogas ser morto, vamos continuar”

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LEAN DAVAL JR/REUTERS

Rodrigo Duterte é contestado pelos defensores dos direitos humanos e pela ONU pelos métodos que encoraja e pelo tom radical com que tem defendido a guerra contra o tráfico

“Muitos serão mortos até que o último vendedor fique fora das ruas”, prometeu o Presidente filipino Rodrigo Duterte, esta segunda-feira, em mais um inflamado discurso a favor da luta que o país assumiu contra as drogas ilegais. Contestado pelos defensores dos direitos humanos e pela ONU pelos métodos que encoraja e pelo tom radical com que tem defendido a guerra que abriu contra o tráfico, Duterte assumiu o cargo há dois meses e desde então estima-se que cerca de 2.400 pessoas tenham morrido nesta campanha.

As promessas de reprimir o crime e acabar com as drogas e com os traficantes foram, aliás, os mais poderosos argumentos para convencer os eleitores. Depois de ser acusado de incitar os toxicodependentes a matar os traficantes e de ter garantido proteção aos polícias, aconselhando-os a serem duros no combate, atirando “para matar”, o Presidente não recua nem uma vírgula perante a pressão internacional.

“Até o último fabricante de drogas ser morto, vamos continuar”, disse aos jornalistas, a partir de Laos, onde se reunirá com Barack Obama esta terça-feira. O Presidente filipino acrescentou que não aceitará nenhuma lição sobre direitos humanos do seu homólogo norte-americano.

“Sou Presidente de um Estado soberano que há muito deixou de ser uma colónia”, frisou, desafiando: “Quem é ele para me enfrentar?”.

No país, sondagens indicam grande apoio popular à guerra lançada por Duterte, mesmo que as mais de duas mil vítimas mortais levantem muitas dúvidas. A polícia afirma que cerca de 900 foram consequência de operações policiais, arrumando as restantes no dossiê das “mortes em investigação", um termo que os ativistas dos direitos humanos dizem ser um eufemismo para as mortes resultantes de execuções extrajudiciais.

As Filipinas enfrentam uma explosão no consumo de metanfetaminas, conhecidas por “shabu”, drogas químicas, desenvolvidas para serem mais potentes e criarem maior dependência. A perseguição aos traficantes deixou de ser feita apenas pelas autoridades, crescendo o número de grupos de extermínio, que se suspeita serem contratados pela própria polícia.

Recentemente, o alto comissariado das Nações Unidas afirma que as declarações do Presidente são um claro incentivo “à violência e à matança, um crime pelas leis internacionais”.

  • As contradições e complexidades do homem que se orgulha de matar criminosos

    Rodrigo Duterte chegou de rompante à campanha presidencial das Filipinas e assim continuou: com tiradas questionáveis, a ganhar pontos por entre insultos ao Papa, piadas sobre violações e ameaças aos bandidos e traficantes. Foi também acusado de criar esquadrões da morte e de mandar executar 700 alegados criminosos sem direito a julgamento - durante a campanha negou as acusações e corrigiu os números, reclamando ter executado, na verdade, 1700 pessoas. “Esqueçam as leis sobre direitos humanos. Vou atirar os criminosos à baía de Manila para alimentar os peixes.” Mas há mais: é elogiado por pagar do próprio bolso a advogados para defenderem mulheres que são vítimas de violência doméstica e por querer pôr na agenda o casamento homossexual – “todos têm o direito a ser felizes”. Há mês e meio acabou eleito Presidente. Quem é este homem complexo que desperta contradições e que chegou aos jornais de todo o mundo? Republicamos o perfil deste político, incluído no Expresso Diário do dia seguinte à sua eleição