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Internacional

Milhares de franceses exigem desmantelamento da “selva” de Calais

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Em janeiro, lojistas e empresários da cidade saíram às ruas para exigir uma moratória aos impostos sobre mercadorias alegando que a queda abrupta de preços foi causada pelo impacto da crise migratória ali

DENIS CHARLET

Para esta segunda-feira está marcado um protesto na cidade francesa, à entrada do Canal da Mancha, na fronteira com o Reino Unido, onde entre sete e 10 mil requerentes de asilo vivem atualmente acampados com poucas ou nenhumas condições

Milhares de residentes de Calais são esperadas hoje no centro da cidade francesa para um protesto contra o campo improvisado de refugiados e migrantes conhecido como "a selva". A BBC diz que os manifestantes têm como planos bloquear as principais estradas a ligar à cidade fronteiriça, à entrada do túnel da Mancha que a liga ao Reino Unido, e formar um cordão humano na estrada que circunda o porto de Calais.

Neste momento, entre sete e 10 mil requerentes de asilo vivem no campo de Calais com poucas ou nenhumas condições, com os residentes franceses a dizerem que "a selva" mina as atividades na cidade e as atividades portuárias. Muitos dos refugiados e migrantes atualmente instalados no campo querem chegar ao Reino Unido para poderem pedir asilo no país sob o tratado bilateral de Touquet.

A autarca de Calais, Natacha Bouchart, planeia juntar-se àquele que a BBC antevê como o maior protesto contra o campo improvisado de migrantes. Tal como outros residentes, Bouchart diz que a situação se tornou insuportável.

No início deste ano, a parte sul do campo de Calais foi desmantelado pelas autoridades francesas num primeiro esforço para encerrar o espaço para onde os refugiados do Médio Oriente e África começaram a ser canalizados em abril de 2015. Bernard Cazeneuve, o ministro francês do Interior, prometeu na semana passada fazer todos os possíveis para encerrar o acampamento até ao próximo ano.

Também na semana passada, os governos francês e britânico comprometeram-se em trabalhar em conjunto para aumentarem a segurança em Calais, garantirem ajuda humanitária às milhares de pessoas sem-abrigo e sem residência ali concentradas e extraditarem para os seus países de origem todos os migrantes clandestinos que tenham sido classificados pelas autoridades como não estando em necessidade de proteção.

Dias depois desse anúncio, ativistas no terreno disseram já ter identificado quase 400 crianças não-acompanhadas no campo de Calais que se qualificam para receber asilo no Reino Unido, muitas das quais já com familiares próximos a viver no país vizinho. Para já, o Governo de Theresa May mantém apenas o compromisso de palavra de receber 150 menores até ao final deste ano.