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Mais de 500 anos depois revelam-se os símbolos que Michelangelo terá escondido na Capela Sistina

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AFP

“Podemos concluir que o verdadeiro significado destes crânios pode estar relacionado com a imagem do útero”, diz equipa de investigadores de universidade brasileiras num artigo publicado na revista especializada “Clinical Anatomy”

Mais de 500 anos depois de Michelangelo ter pintado o interior da Capela Sistina no Vaticano, um grupo de académicos que tem estado a analisar a obra de arte diz ter descoberto símbolos pagãos relacionados com noções da sexualidade feminina escondidos em várias partes da famosa pintura do artista italiano.

De acordo com a equipa de investigadores de várias universidades brasileiras, num artigo publicado na revista especializada "Clinical Anatomy", um desses símbolos é a imagem de um carneiro pintada oito vezes ao longo do fresco, que representará o sistema reprodutor feminino, com o crânio e cornos do animal a assemelhar-se "muito" à figura do útero.

"Podemos concluir que o real significado destes crânios pode estar diretamente relacionado com a anatomia interna feminina [o útero e as tubas uterinas]", escrevem os investigadores no artigo, citado por jornais britânicos como o "The Telegraph" e o "The Independent". "Acreditamos que o facto de a posição da ponta dos triângulos [o símbolo masculino] estar alinhada com os crânios [o útero] pode, na realidade, representar um contacto sexual direto entre os símbolos masculino e feminino."

No artigo são detalhadas as formas como Michelangelo terá tentado subverter as práticas comuns da Igreja Católica Apostólica Romana, numa altura em que os seus líderes ainda discutiam se as mulheres tinham ou não almas. Os investigadores explicam ainda nesse relatório como é que o artista escondeu a imagética feminina por causa da negligência generalizada das formas e símbolos da mulher na arte sacra do século XV.

"De acordo com descrições clássicas, um triângulo a apontar para cima é o símbolo pagão do masculino [um falo rudimentar], ao passo que quando aponta para baixo é o símbolo pagão do feminino", apontam sobre o segmento intitulado A Criação de Eva, onde a mulher primordial, de acordo com as escrituras bíblicas, ergue os braços na forma de um 'V', cuja ponta está virada para baixo. "No centro exato do teto da Capela Sistina, Michelangelo decidiu colocar o notório símbolo pagão do feminino", sublinham.