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Internacional

Jovem geração pró-democracia alcança vitória inédita em Hong Kong

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ANTHONY WALLACE

Resultados preliminares das eleições deste domingo para o Conselho Legislativo da região administrativa chinesa mostram que entre os eleitos deverá estar Nathan Law, um dos mais jovens líderes dos protestos anti-Pequim de 2014, conhecidos como a Revolução dos Guarda-Chuva

Uma nova geração de jovens ativistas contra a ingerência da China em Hong Kong terá alcançado este fim de semana os seus primeiros assentos políticos no Conselho Legislativo (LegCo) da região administrativa especial, mostram resultados preliminares das eleições deste domingo na ilha.

Entre os eleitos estará Nathan Law, um dos mais jovens líderes dos protestos pró-democracia em massa que varreram Hong Kong em 2014, num movimento batizado Revolução dos Guarda-Chuva. O líder da Associação de Estudantes da Universidade de Lingnan, atualmente com 23 anos, foi um dos fundadores do partido Demosisto no rescaldo dessas manifestações, juntamente com vários outros líderes estudantis.

"Penso que os habitantes de Hng Kong querem real mudança", defendeu à AFP esta madrugada, quando a primeira contagem de votos previu a sua vitória. "Os jovens têm um sentido de emergência no que toca ao futuro." A confirmar-se a eleição de Law e de outras figuras do movimento, esta será a primeira vez que a jovem geração experimenta os meandros do poder político.

Apesar disto, políticos pró-Pequim deverão reter a maioria dos assentos do LegCo, em parte por causa do sistema eleitoral em vigor em Hong Kong: 35 dos 70 assentos do conselho, dos círculos eleitorais geográficos, são atribuídos por sufrágio universal, mas outros 30 pertencem aos chamados "círculos eleitorais funcionais" e são escolhidos apenas por indivíduos e empresas, algumas delas estrangeiras, de grupos de interesse específicos e normalmente com ligações a Pequim.

O anúncio dos resultados preliminares destas eleições, as primeiras desde os protestos de 2014, foi atrasado por uma participação eleitoral recorde, a rondar os 58% dos 3,8 milhões de eleitores registados, em comparação com os 45,2% em 2008 — no que os analistas dizem ser mais uma prova do desejo de mudança da população da ilha, que durante a revolução dos guarda-chuva exigiu que Pequim respeitasse o acordo "um país, dois sistemas".

A China continental sempre rejeitou as acusações de ingerência na política de Hong Kong e atentado à democracia na ilha, não cedendo em qualquer das exigências dos manifestantes. Com 90% dos votos contabilizados, tudo aponta para que Law tenha alcançado o segundo número mais alto de votos para o LegCo.

Dois candidatos do partido Younginspiration, outro movimento pró-democracia também com raízes nos protestos de 2014 mas mais abertamente independentista, também deverão alcançar assentos no Conselho Legislativo. Os resultados finais deverão ser anunciados esta segunda-feira à tarde.

Sob o sistema eleitoral em vigor em Hong Kong, só 35 assentos são escolhidos por sufrágio universal, com outros 30, que representam profissões ou setores particulares, a serem atribuídos apenaas por pessoas ligadas a essas profissões ou setores, no que corresponde a 6% da população da ilha, declaramente a favor de Pequim.

Para além desses e dos 35 eleitos por sufrágio universal, existem ainda cinco "superassentos" escolhidos por um grupo de eleitores espalhado pelo território. O chefe executivo do LegCo que é o líder oficial do Governo regional, é sempre escolhido por um comité de pessoas nomeadas pelo regime chinês.