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Espanha: Felipe VI apela ao diálogo mas não inicia ronda de consultas

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O rei de Espanha, revelou a presidente do Congresso dos Deputados, pretende dar tempo para que "as formações políticas possam levar a cabo as ações que considerem convenientes" para desbloquear o atual impasse político

Felipe VI e Ana Pastor

Felipe VI e Ana Pastor

SERGIO BARRENECHEA / EPA

O rei Felipe VI fez esta segunda-feira um apelo ao "diálogo, concertação e compromisso" dos partidos políticos espanhóis, mas não irá iniciar, por enquanto, novas consultas com eles depois do fracasso da investidura de Mariano Rajoy, na sexta-feira passada.

"Sua Majestade comunicou-me a sua decisão de não iniciar, por enquanto, novas consultas" com as forças políticas espanholas, revelou a presidente do Congresso dos Deputados (parlamento) depois de uma reunião que teve com Felipe VI para lhe comunicar o resultado da investidura derrotada de Mariano Rajoy.

Segundo Ana Pastor, o rei pretende dar tempo para que "as formações políticas possam levar a cabo as ações que considerem convenientes" para desbloquear o atual impasse político.

Entretanto, em comunicado divulgado pela Casa Real ao final da tarde desta segunda-feira, Felipe VI confirmou as declarações de Ana Pastor apelando aos partidos para que tomem "decisões que resolvam os problemas dos cidadãos".

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, já anunciou que vai abrir uma ronda de contactos com todos os partidos espanhóis para tentar encontrar uma solução para desbloquear o impasse atual, mas precisou que não pretende liderar uma alternativa.

O líder do PP (direita), Mariano Rajoy, fracassou na sexta-feira a segunda votação de investidura no parlamento, tendo 180 deputados votado contra e 170 a favor, o mesmo número da votação de dois dias antes.

O atual chefe do Governo em funções e líder do Partido Popular (PP, direita) teve o apoio de 137 deputados do PP, 32 do partido de centro-direita Ciudadanos e um do partido regional Coligação Canária.

O resto da assembleia votou contra, entre eles os 85 do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e os 71 da coligação da esquerda radical Unidos Podemos.

O resultado que já era esperado confirma o período de grande incerteza política em que Espanha vive e que se não for desfeito até 31 de outubro próximo irá significar a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições 54 dias depois, provavelmente para 25 de dezembro.

Se isso acontecer, serão as terceiras eleições legislativas que se realizam no espaço de um ano, depois de na primeira consulta, em 20 de dezembro de 2015, e na segunda, em 26 de junho deste ano, as quatro principais forças políticas espanholas (PP, PSOE, Unidos Podemos e Ciudadanos) não terem conseguido chegar a um acordo para formar um Governo estável em Espanha.

Nas eleições de 26 de junho, o PP foi o partido mais votado (33 por cento dos votos e 137 deputados), seguido pelo PSOE (22,7% e 85), Unidos Podemos (21,1% e 71) e Ciudadanos (13,0% e 32).