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Dezenas de milhares nas ruas do Brasil criticam Temer e exigem eleições

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Victor Moriyama

Polícia usou gás lacrimogéneo contra alguns manifestantes que, no domingo, se concentraram em várias cidades brasileiras em protesto contra a destituição de Dilma Rousseff. Só em São Paulo terão sido 50 mil os participantes, segundo a BBC um número recorde

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de várias cidades do Brasil no domingo contra a destituição de Dilma Rousseff e contra o Governo de Michel Temer, com os organizadores a dizerem que, só em São Paulo, foram 50 mil os manifestantes que participaram ao sétimo dia de protestos contra o novo Presidente — no que a BBC diz ser um recorde no país.

As manifestações começaram de forma pacífica mas, a dada altura, a polícia usou gás lacrimogéneo, granadas de atordoamento canhões de água em resposta a alegados confrontos entre grupos pró e contra Temer. As medidas foram justificadas pelas autoridades com a necessidade de "evitar atos de vandalismo". Várias pessoas ficaram feridas nos confrontos com a polícia, entre elas o correspondente da BBC em São Paulo, Felipe Souza.

À margem da cimeira do G20 na China, Temer acusou "pequenos grupos, e não um movimento de grande dimensão", de espalharem o caos no país, sublinhando aos jornalistas que "numa população de 204 milhões de brasileiros", as dezenas de milhares de manifestantes nas ruas "não são um número representativo".

O Senado brasileiro votou a favor da destituição de Dilma na semana passada por alegada manipulação das contas do Governo e do Orçamento sem autorização do Congresso na véspera das presidenciais de 2014, que a reconduziram no cargo de Presidente. O seu afastamento ditou o fim de 13 anos consecutivos de poder do Partido dos Trabalhadores (PT).

Michel Temer, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que era vice-presidente nos Governos de Dilma e do seu antecessor, Lula da Silva, foi empossado líder do Brasil poucas horas depois de uma maioria qualificada dos senadores brasileiros ter votado contra Dilma. A líder afastada e os seus apoiantes continuam a acusar os membros do PMDB de terem orquestrado um golpe de Estado para tomarem o poder.

Suspeito no escândalo da Lava Jato e no caso Petrobras, Temer está impedido de ser eleito para cargos públicos nos próximos oito anos após ter sido condenado por violar as leis eleitorais. Apesar disto, deverá manter-se no poder até ao final do segundo mandato de Dilma, que termina em 2019. Muitos dos manifestantes que participaram nos protestos de ontem exigem que o novo Governo convoque presidenciais antecipadas, aproveitando a ida às urnas em outubro para as eleições municipais.

Dois dias depois do afastamento de Dilma, o novo Governo de Temer aprovou e publicou em Diário da República um decreto-lei que altera as regras sobre as chamadas "pedaladas fiscais" de que Dilma foi acusada e a que Governos de direita também recorreram no passado. Sob a nova lei, o Executivo brasileiro passa a poder abrir créditos suplementares sem necessidade de pedir autorização aos membros do Congresso.