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Milhares de venezuelanos nas ruas de Madrid pedem saída de Maduro

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SUSANA VERA

Milhares de venezuelanos manifestaram-se hoje nas ruas de Madrid, Espanha, reivindicando um referendo que permita destituir o presidente Nicolás Maduro.

Milhares de venezuelanos manifestaram-se hoje nas ruas de Madrid, Espanha, para reivindicar um referendo que permita destituir o presidente Nicolás Maduro, adiantou a AFP. Cerca de 3.000 pessoas, de acordo com os números da polícia no local, e 4.500 de acordo com os organizadores da marcha, gritaram hoje em Madrid "Venezuela, referendo!", "Fora, Maduro!" e "Não quero uma ditadura como a cubana!", três dias depois de uma grande manifestação na capital da Venezuela, Caracas, que juntou cerca de um milhão de pessoas, de acordo com a oposição no país.


"Não há medicamentos ou alimentos, as pessoas idosas têm que se levantar ao nascer do sol para ir para as filas nas lojas", disse Lorena Monroy, vendedora de 50 anos, há 13 a viver em Espanha, e cuja família vive em Maracay, no centro da Venezuela.
Segundo a manifestante venezuelana, é por situações como estas que se pede um referendo imediato.

"Queremos o nosso país de volta", disse, com uma bandeira da Venezuela aos ombros, Karen Goncalves, de 19 anos, que está há três meses em Espanha "em busca de um futuro melhor". Na sua cidade natal, Valencia, a terceira maior da Venezuela, a oeste de Caracas, a família de Karen Goncalves tem estabelecimentos comerciais, mas caminham para a falência, porque não há mercadorias, não há dinheiro. "É preciso ir à Colômbia para comprar mercadorias para vender", disse a jovem baby-sitter que participa em todas as manifestações da oposição a Maduro.
A Venezuela, muito dependente das receitas do petróleo, está a viver uma grave crise, que se traduz já numa escassez de disponibilidade de bens de primeira necessidade.


Madrid é uma das cidades no mundo onde vivem mais emigrantes venezuelanos, ao lado de Miami, nos Estados Unidos e Santa Cruz de Tenerife, nas ilhas Canárias, em Espanha. A crise política na Venezuela tem vindo a aprofundar-se com a oposição a insistir na realização de um referendo para revogar o mandato do Presidente do país, Nicolás Maduro.

Na Venezuela foram hoje libertadas 30 pessoas, detidas na sexta-feira no norte do país, na sequência de uma manifestação contra o presidente Maduro, avançou a AFP, que citou uma declaração na rede social Twitter de um ativista da organização não-governamental Foro Penal Venezuelano.


De acordo com o ativista, está ainda detido um jornalista que divulgou online vídeos da manifestação que aconteceu na cidade de Parlomar, na ilha de Margarita, onde Maduro esteve na sexta-feira para inaugurar habitação social. Segundo a AFP, um vídeo hoje divulgado nas redes sociais mostra o presidente venezuelano a ser agredido por manifestantes enfurecidos que o cercaram e obrigaram a correr para fugir.