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Extrema-direita ultrapassa CDU de Merkel em eleições regionais na Alemanha

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JOHN MACDOUGALL / AFP / Getty Images

Eleições decorreram em Mecklenburg-Western Pommerania, estado em que a chanceler costuma ficar à frente nas listas dos democratas-cristãos nas eleições gerais. Resultado representa duro golpe para Angela Merkel

Helena Bento

Jornalista

Sondagens à boca das urnas dão o terceiro lugar aos democratas-cristãos da CDU, com 19% dos votos, atrás do partido da extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que deverá ficar em segundo lugar, com 21%, e dos sociais-democratas do SPD, que deverão ficar em primeiro lugar, com mais de 30% dos votos.

Os resultados provisórios das eleições regionais deste domingo, no estado de Mecklenburg-Western Pommerania, na Alemanha, não são, porém, surpreendentes. Ao longo da semana, vários cenários foram sendo antecipados e todos eles apontavam para que a CDU de Angela Merkel fosse superada pela AfD, formação eurocética de extrema-direita.

Ainda de acordo com as sondagens à boca das urnas, o Die Linke, partido que congrega antigos comunistas, poderá ter alcançado mais de 12% nas eleições.

Apesar de mais ou menos expectáveis, os resultados representam um duro golpe para Angela Merkel, que ainda não anunciou se vai ou não recandidatar-se a um quarto mandato nas eleições gerais de 2017. E representam um duro golpe porque estas eleições decorrem num estado-federado em que a chanceler costuma ficar à frente nas listas dos democratas-cristãos nas eleições gerais, sendo considerada a sua região-natal. O escrutínio deste domingo é encarado, portanto, como um teste para as eleições do próximo ano.

A chanceler tem visto a sua popularidade decrescer nos últimos meses, sobretudo por causa da sua política de asilo, que tantas críticas tem merecido. Só no ano passado, a Alemanha acolheu 1,1 milhões de deslocados, graças à política de portas abertas de Angela Merkel, que contrasta vivamente com a atitude de muitos países europeus em relação aos refugiados. Mas essa política tem-lhe custado caro. Atualmente, apenas 44% dos alemães acreditam que Merkel deve continuar ao comando dos destinos do país.

Fundado em abril de 2013 pelo economista Bernd Lucke, o Alternativa para a Alemanha não tem presença no parlamento federal alemão, mas está representado em metade das 16 assembleias regionais do país, depois de nas eleições regionais de março ter obtido resultados históricos nos estados-federados de Baden Würtemberg, Renânia-Palatinado e Alta Saxónia.

Tendo começado como uma força política ultranacionalista, anti-Europa e anti-moeda única, o AfD evoluiu entretanto para um partido de extrema-direita, xenófobo e anti-imigração.