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Charlie Hebdo e a lasanha

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Conhecido pelo seu humor sem tabus, mesmo em temáticas muito sensíveis, o jornal satírico "Charlie Hebdo" envolve-se agora em nova polémica relacionada com o violento sismo em Itália que vitimou quase 300 pessoas há menos de duas semanas. O cartoon envolve vários pratos culinários, como 'penne'... e lasanha.

Ninguém espera do jornal satírico "Charlie Hebdo" piadas de fácil digestão. Na redação daquele meio de comunicação francês, não há temas tabus - e isso já lhes valeu um atentado por parte de fundamentalistas islâmicos, em 2015, em virtude da publicação de 'cartoons' relacionados como o profeta Maomé. Morreram 12 pessoas na altura, e o mundo saiu à rua brandindo lápis nas mãos, e afirmando "Je Suis Charlie". A publicação, contudo, não mudou de estilo. Continuou a fazer humor com tudo e com todos - Aylan Kurdi, o menino sírio que deu à costa no Mediterrâneo - incluído. A última polémica prende-se com um 'cartoon' publicado na última edição sobre o sismo em Itália.

No desenho, intitulado "Terramotoo à italiana", três vítimas são equiparadas a três diferentes pratos típicos daquele país. Um homem de pé coberto de sangue é nomeado "Penne com molho de tomate", uma mulher gravemente ferida, a seu lado, comparada a "penne gratinado", e uma pilha de pessoas esmagadas por várias lajes de cimento, de onde saem pés, é intitulada "lasanha".

O trocadilho evidente com Amatrice, o nome de uma das cidades arrasadas pelo sismo de 6,2 em Itália a 24 de Agosto, que inspira o nome do molho "amatriciana", não caiu bem a muita gente, em particular aos Italianos. O prefeito de Amatrice, Sergio Pirozzi, declarou-se chocado com o 'cartoon', e afirmou ter "a certeza de que essa sátira desagradável e constrangedora não reflete o sentimento francês". Com efeito, a embaixada de França em Roma apressou-se a publicar no seu site um comunciado, afirmando que aquela publicação "não representa em absoluto" a posição do país e que é uma "caricatura da imprensa", "cujas opiniões são dos jornalistas".

Pirozzi acrescentou ainda que "a ironia é sempre bem-vinda, mas não se podem satirizar os desastres nem os mortos". As redes sociais também se incendiaram. A hashtag #Charlie Hebdo já somava inúmeros comentários de rejeição por parte de internautas, que diziam, por exemplo: "Isto já não é sátira, mas sim puro desrespeito por aqueles que perderam a vida".