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Colunista britânico lamenta que a “democracia esteja à venda” devido aos almoços pagos com a primeira-ministra

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Neil Hall/Reuters

A primeira-ministra britânica está a permitir que lobistas almocem consigo durante a convenção do seu partido mediante pagamento

3.150 libras (3.726 euros) é o valor do almoço com Theresa May, primeira-ministra britânica. De acordo com o colunista britânico Simon Jenkins, os líderes empresariais e lobistas que estão a “inundar” as convenções do partido, pagam este montante para obterem vantagens. Em julho, aquando da tomada de posse, May comprometeu-se a lutar contra as desigualdades e a combater os privilégios na política.

Jenkins escreve que pagar para ter acesso a um membro do governo não deveria acontecer na política britânica e que “se os partidos precisam de dinheiro, devem pedir fazer peditórios à população em geral (crowd-source) ou recolher fundos juntos dos seus militantes”, de forma a “não venderem o interesse público”.

Para o colunista, a hipocrisia é a característica política menos atraente. E aqui chegado, lembra que as cruzadas do anterior chefe do Executivo, David Cameron, contra a corrupção no país e no estrangeiro caíram por terra perante as cedências aos lobistas em vários setores – como a política energética, aeroportos e obras públicas. Já com Theresa May, Jenkins considera que o cenário permanece igual, dado que uma das suas primeiras decisões foi “render-se ao lóbi do açúcar” em detrimento da sua estratégia anti-obesidade. As ligações entre os assessores de May e a atividade de lobbying estão, na visão de Jenkins, “bem-traçados”.

A associação profissional de lobistas cresceu de 5 membros, no anos 90, para 80, atualmente, com receitas a crescer 20% ao ano. As empresas sabem que despender dinheiro para lóbi significa um retorno lucrativo. Para Jenkins, a única defesa que a democracia tem contra a corrupção é expor este tipo de situações e proibir práticas como a compra de almoços com a primeira-ministra.