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Campanha de fertilidade criticada pelo primeiro-ministro italiano

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Matteo Renzi demarca-se de campanha online, promovida pela ministra da saúde, que encoraja os casais a terem mais filhos

Criticada por não referir as razões essenciais sobre a baixa taxa de natalidade na Itália, a campanha do “Dia da Fertilidade” consiste na imagem de uma mulher que segura uma ampulheta com o texto “A beleza não tem nenhum limite de idade. A fertilidade sim”. Em Itália é temido que o envelhecimento da população ponha em risco o crescimento e afete serviços.

Matteo Renzi, primeiro-ministro, disse numa entrevista de rádio que nenhum dos seus amigos se sentiram impelidos a ter filhos depois de terem visto um anúncio e que a solução para o aumento da natalidade passa pela existência de creches e empregos estáveis. Acrescenta ainda que para se “criar uma sociedade que invista no seu futuro e tenha crianças, é preciso garantir que haja condições subjacentes”.

De acordo com a BBC, os críticos da campanha referem que existem várias razões pelas quais as mulheres italianas têm menos filhos, tais como a “grande taxa de desemprego, salários baixos, direitos de maternidade precários e cuidados infantis inadequados”.

A ministra da saúde, Beatrice Lorenzin, já ordenou que a campanha online fosse modificada. Lorenzin refere que não tinha como intenção “ofender ou provocar alguém” e que “se a mensagem não foi interpretada como gostaríamos, então teríamos de a alterar”.

Os principais protestos surgiram nas redes sociais após o lançamento da campanha na quarta-feira e acusaram-na de ser “paternalista e sexista”, refere a BBC. No Twitter, uma mulher perguntou: “em que século é que estamos?”, enquanto outra publicou: “Chocada. Claro. As mulheres italianas estão todas à espera da cegonha, não estão?”. Alguns italianos associaram ainda a campanha à proclamação feita por Mussolini nos anos 30 que dizia que o dever social das mulheres era ter filhos.

O “Dia da Fertilidade”, celebrado a 22 de setembro, conta ainda com encontros em quatro cidades, nas quais vários especialistas vão falar sobre fatores que afectam a fertilidade. No site da campanha é também exibida uma foto de água a cair com a legenda “a fertilidade é um bem comum”.

Em 2015 nasceram em Itália 488.000 bebés, o valor mais baixo registado desde 1861. A taxa de fertilidade, no mesmo ano, foi de 1.35 filhos por mulher, sendo que a média europeia é de 1.6. O emprego entre as mulheres em Itália é de igual modo mais baixo quando comparado com os outros países da EU.

No início deste ano, a ministra Beatrice Lorenzin propôs uma duplicação do abono de família como forma de incentivo para mais casais terem filhos.