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Internacional

Mais de 10 mil pessoas foram resgatadas no Mediterrâneo em 36 horas

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ARIS MESSINIS

Operações têm sido conduzidas por organizações como os Médicos Sem Fronteiras e a Proactiva Braços Abertos, a par da agência da União Europeia de patrulhamento das fronteiras externas (Frontex) e da Guarda Costeira italiana

Mais de dez mil pessoas, incluindo bebés recém-nascidos, foram resgatadas com vida no Mediterrâneo em apenas 36 horas — o número mais alto de chegadas a Itália num tão curto espaço de tempo desde o início da crise dos refugiados na Europa há três anos, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Na segunda-feira, operações conjuntas da Marinha italiana e da Frontex, a agência da União Europeia de patrulhamento de fronteiras, com as organizações não-governamentais Médicos Sem Fronteiras (MSF) e Proactiva Braços Abertos, garantiram o resgate de quase sete mil pessoas, às quais se juntaram outras três mil salvas nas primeiras horas de terça-feira.

Ao todo, cerca de 115 mil pessoas já chegaram a Itália desde o início do ano, quase o mesmo número de chegadas ao país nos primeiros oito meses de 2015, cerca de 116 mil. A diferença entre os dois anos, aponta Flavio Di Giacomo, porta-voz da OIM em Itália, é a magnitude das operações de resgate, sobretudo as que foram executadas nos primeiros dois dias desta semana.

"É muito difícil resgatar tanta gente. É perigoso para toda a gente e depois as pessoas têm de ser transportadas para as costas italianas", explicou Giacomo à rádio pública norte-americana (NPR) na quarta-feira. "Entre 600 e 1200 pessoas chegaram [às ilhas italianas de Lampedusa e Sicília] a cada resgate. Foram recolhidas as impressões digitais de toda a gente, há segurança e apoio médico. O sistema é muito eficiente, porque Itália tem estado a fazer isto há vários meses."

Esta "situação de emergência", como classifica o especialista, deverá estar concluída no final desta semana, mas apenas se o ritmo de chegadas abrandar. Contudo, não há nada que indique para já que o número de pessoas que partem da Líbia em direção a Itália vá decrescer.

Neste momento, a OIM está a ajudar a transportar as pessoas resgatadas, sobretudo gente fugida de guerras e repressões sangrentas em países do continente africano como a Eritreia e a Somália, para várias partes de Itália a fim de serem colocadas em instalações de acolhimento temporário, que podem ser escolas abandonadas ou apartamentos, enquanto aguardam a conclusão do processo de asilo.

"Quando chegam 10 mil pessoas de uma só vez, é sempre um desafio encontrar espaços suficientes onde as pessoas possam viver, mas Itália consegue fazê-lo", garante Giacomo.

Em Itália, cada refugiado espera em média no mínimo oito meses pela resposta das autoridades. Mesmo que os pedidos sejam recusados, os requerentes de asilo chegam a esperar até três anos no país pela conclusão dos eventuais processos de recurso à decisão inicial do Governo italiano. E a par disso, lembra ainda o porta-voz da OIM em Itália, é muito difícil repatriar as pessoas que chegam à Europa sem documentos oficiais, como é o caso da maioria das pessoas que já foram resgatadas esta semana no Mediterrâneo.